Brasil

CAMINHONEIROS AMEAÇAM ‘GREVE AINDA PIOR’ SE GOVERNO ALTERAR TABELA DE FRETE

Com pressão de produtores rurais e da bancada ruralista, o governo federal deve rever a tabela de preços mínimos para fretes rodoviários. Os ruralistas dizem que a tabela, uma das promessas feitas pelo governo para conseguir encerrar os dez dias de greve dos caminhoneiros, eleva os custos do frete em até 150%.

Se essa tabela cair, vai ter uma greve pior que a última. E aí não vai ter negociação, pois eles vão querer provar para o mundo que são fortes, vai ser uma grande revolta”, diz Ivar Luiz Schmidt, representante do Comando Nacional do Transporte (CNT).

Agora, a  Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) está revendo os cálculos e deverá apresentar um novo estudo ainda nesta quarta-feira (6/6). O ministro Maggi afirmou que os valores estabelecidos são muito altos e que inviabilizam o setor produtivo.A tabela que estabelece o preço mínimo do frete que foi recém instituída pelo governo para por fim a greve dos caminhoneiros já pode estar com os dias contados. Na noite desta terça-feira (5/6) os ministros dos Transportes, Valter Casimiro, e da Agricultura, Blairo Maggi se reuniram com representantes do agronegócio e afirmaram que vão rever a tabela.

Ameaça – Nas redes sociais, os motoristas prometem resistir e ameaçam começar nova greve assim que a tabela for derrubada. Ela é considerada a maior vitória da categoria nos últimos tempos.

Se essa tabela cair, vai ter uma greve pior que a última. E aí não vai ter negociação, pois eles vão querer provar para o mundo que são fortes, vai ser uma grande revolta”, diz Ivar Luiz Schmidt, representante do Comando Nacional do Transporte (CNT). Foi ele quem criou os primeiros grupos de caminhoneiros no WhatsApp para organizar os protestos. Hoje, Schmidt participa de quase 90 grupos na rede. “Tá todo mundo só esperando que a tabela seja derrubada para parar tudo de novo”, afirma. “E, pelo que estou vendo no WhatsApp, pode ter certeza de que isso vai acontecer.

A tabela de preço mínimo do transporte rodoviário definida às pressas pelo governo para interromper a greve na semana passada – é considerada a maior vitória dos caminhoneiros nos últimos tempos. Mas, diante da reação do empresariado (principalmente representantes do agronegócio), eles começam a temer que essa conquista esteja com os dias ou horas contados.

O presidente da Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam), José da Fonseca Lopes,.

Não vejo coisa muito boa vindo pela frente, mas vamos lutar para encontrar um meio-termo para ambas as partes”, afirma o presidente da Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam), José da Fonseca Lopes, que esteve à frente das negociações com o governo na greve encerrada na semana passada. “Esperamos encontrar um denominador comum que não prejudique o caminhoneiro. Caso contrário, podem esperar uma nova rebelião.”. O presidente da Abcam afirma que uma tabela de preço mínimo vinha sendo negociada no Congresso antes da greve e da medida provisória ser emitida.

Schmidt afirma que desde 2016 essa proposta vem sendo negociada, sem sucesso – com as condições precárias de trabalho dos motoristas de caminhão no Brasil sendo ignoradas. “Hoje, não existe categoria mais massacrada que o caminhoneiro. Há 30 anos esse profissional vem sendo explorado”, diz Schmidt.

Tabela feita às pressas

O presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), João Martins da Silva Júnior, disse que o tabelamento instituído pelo acordo do governo com os caminhoneiros é “um retrocesso”, “inviabiliza” o setor e que “o bom senso não prevaleceu”, porque a tabela vai encarecer todos os produtos na mesa dos brasileiros. “Tem de rever a tabela senão a CNA vai tomar todas as medidas possíveis, até ir para a Justiça e questionar a legitimidade da tabela.

Segundo o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, os cálculos da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), responsável pela elaboração da tabela, foram “muito corridos” para atender à demanda dos caminhoneiros, e alguns cálculos foram imprecisos. A ANTT vai trazer para a realidade uma série de coisas e deve propor uma nova tabela de fretes nesta quarta-feira (6), disse Maggi. Haverá duas novas reuniões no Palácio do Planalto com caminhoneiros, nas quais o assunto será tratado.

Fonte:Gazeta do Povo

Foto: Heron Maia

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *