8 de janeiro: o dia da infâmia bolsonarista, três anos da vergonha golpista que quase enterrou a democracia

Julgamentos no STF condenam mais de 800 à trama criminosa de Bolsonaro, mas impunidade ainda paira sobre o ex-presidente e sua quadrilha

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
Luciano Meira

Três anos após a invasão golpista das sedes dos Três Poderes em Brasília, no fatídico 8 de janeiro de 2023, o Brasil reflete sobre o atentado mais covarde à democracia, orquestrado pela organização criminosa liderada por Jair Bolsonaro, cujos fanáticos depredaram o Congresso, o Planalto e o STF em uma marcha fascista para impor um golpe contra a vitória eleitoral de Lula. O Supremo Tribunal Federal já condenou mais de 800 réus por essa trama insana, incluindo generais, ex-ministros e executores, mas o chefe da bandidagem bolsonarista, apesar de preso, segue como o grande vencedor da impunidade seletiva que sempre blindou golpistas no Brasil, desfrutando de regalias na prisão.

A cronologia da canalhice golpista

Tudo começou logo após a derrota humilhante de Bolsonaro nas urnas em 30 de outubro de 2022, quando seus capangas bloquearam mais de mil rodovias pelo país, paralisando o abastecimento em uma prévia do caos que viria, sem que o ex-presidente condenasse de imediato a violência de sua horda extremista. Em seguida, acampamentos fascistas brotaram em mais de cem quartéis, incluindo o QG do Exército em Brasília, com aval explícito de Bolsonaro para pressionar por intervenção militar, transformando bases militares em centros de conspiração golpista financiados por sabe-se lá quem, que ainda será levado à Justiça.A escalada veio em dezembro: na noite da diplomação de Lula, vândalos bolsonaristas incendiaram carros e ônibus no Setor Hoteleiro Norte, enquanto, na véspera de Natal, terroristas da mesma laia tentaram explodir um caminhão-tanque no Aeroporto de Brasília para justificar o caos e forçar um golpe, falhando por pura incompetência criminosa. Culminou no 8/1, com milhares marchando da frente do QG do Exército para saquear as instituições, destruindo patrimônio histórico em nome de um delírio ditatorial alimentado por Bolsonaro, que planejava a ruptura institucional desde 2021, segundo denúncia da PGR.

Bolsonaro e sua máfia no banco dos réus

O STF desmontou a teia criminosa em quatro núcleos principais, condenando 29 figurões a penas pesadas: Bolsonaro pegou 27 anos por tentativa de golpe, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e organização criminosa armada; Braga Netto, 26 anos; Almir Garnier e Anderson Torres, 24 anos cada; Augusto Heleno, 21 anos – todos cúmplices diretos na quadrilha que tramava manter o poder pela força. Outros 810 incitadores e executores foram condenados, mais de 560 aceitaram acordos de não persecução penal com multas e cursos de “democracia” – ironia cruel para quem odiava o Estado de Direito.

Foto: Joédson Alves/Agencia Brasil

Foragidos como Alexandre Ramagem, condenado a 16 anos e fugido para os EUA, e cerca de 60 na Argentina que romperam tornozeleiras, mostram como a justiça avança, mas a bandidagem bolsonarista ainda escapa pela impunidade internacional. Todos arcarão com R$ 30 milhões em indenizações pelos danos, inelegíveis por oito anos e, no caso de militares, sujeitos à perda de patente – um soco no estômago das casamatas golpistas.

Marco histórico contra a tradição de impunidade

Juristas celebram os julgamentos como ruptura inédita com a história brasileira de inumeros golpes sem punição, onde militares se achavam “poder moderador” para derrubar governos eleitos, como agora contra Lula, em defesa de seus privilégios podres. Historiadores como Mateus Gamba Torres denunciam: todo golpe foi para impedir mudanças necessárias, nunca pelo “bem do Brasil”, e o STF quebrou o ciclo de absolvições que blindava generais e ex-presidentes.

Criminalistas como Fernando Hideo exaltam: pela primeira vez, o Brasil enfrentou rupturas sem anistias ou pactos de esquecimento, afirmando que democracia não tolera experimentos autoritários de Bolsonaro e sua gangue. Constitucionalistas alertam, porém, para o Congresso golpista que tenta dosimetria branda ou anistia disfarçada, provando que o veneno fascista ainda corrói o Parlamento.

Lição amarga para a nação

Enquanto Lula participa de cerimônias no Planalto e o STF promove a campanha “Democracia Inabalada”, o Brasil não pode baixar a guarda: a infâmia do 8/1 expôs a podridão bolsonarista, mas o risco de recaídas persiste enquanto o STF carrega sozinho o peso da defesa institucional contra um Congresso frouxo. Três anos depois, a condenação de 800 é vitória, mas a prisão efetiva de Bolsonaro e sua organização criminosa é o único troféu que cala de vez os golpistas.

O Metropolitano

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