Veja quem são os beneficiados com a isenção do Imposto de Renda

O Departamento Intersindical de Estatísticas Socioeconômicas (Dieese) produziu levantamento que identifica quais categorias profissionais e grupos sociais não pagam mais Imposto de Renda sobre seus vencimentos mensais

Reprodução Redes Sociais
Luciano Meira

A partir de 2026, trabalhadores com rendimento mensal de até R$ 5 mil estão isentos do pagamento do Imposto de Renda (IR). A medida, sancionada pelo presidente Lula (PT), altera as faixas de tributação e atinge diretamente empregados com carteira assinada, servidores públicos, aposentados e pensionistas do INSS.Atualmente, o limite para a isenção alcançava apenas quem recebia até dois salários mínimos. Com a nova legislação, cerca de 16 milhões de brasileiros deixam de pagar o tributo. O governo projeta que a mudança resulte em uma renúncia fiscal de aproximadamente R$ 25,4 bilhões, compensada pelo aumento da taxação sobre contribuintes de altíssima renda.

Escalonamento e descontos

A reforma não beneficia apenas quem está na faixa de isenção total. Contribuintes que ganham entre R$ 5.000,01 e R$ 7.350 mensais também terão um alívio financeiro. Para esse grupo, o imposto será reduzido de forma gradual: quanto mais próximo o salário estiver do limite de R$ 5 mil, maior será o desconto aplicado.

Já os profissionais que recebem acima de R$ 7.350 não possuem direito a esse desconto adicional e continuam seguindo a tabela progressiva comum.

Categorias mais beneficiadas

Um estudo do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) detalha o impacto por setor. Na indústria do vestuário, por exemplo, 95% dos trabalhadores passam a ser isentos. Entre os comerciários, o volume de beneficiados chega a 8,5 milhões de pessoas, o que representa 91% da categoria. No setor de serviços domésticos, a isenção atinge 97% das trabalhadoras.

Ramos econômicosIsentosRedução de ImpostoDemais (acima de R$ 2.359)
Agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura91%6%3%
Indústrias extrativas54%15%31%
Indústrias de transformação80%10%10%
Eletricidade e gás40%19%41%
Água, esgoto, atividades de gestão e resíduos e descontaminação78%9%13%
Construção88%7%5%
Comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas91%5%4%
Transporte, armazenagem e correio82%10%8%
Alojamento e alimentação96%3%1%
Informação e comunicação61%12%27%
Atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados40%16%44%
Atividades imobiliárias89%5%6%
Atividades profissionais, científicas e técnicas78%9%13%
Atividades administrativas e serviços complementares93%3%4%
Administração pública, defesa e seguridade social84%9%7%
Educação83%8%9%
Saúde humana e serviços sociais81%11%8%
Artes, cultura, esporte e recreação91%4%5%
Outras atividades de serviços88%6%6%
Serviços domésticos97%1%2%
Organismos internacionais e outras instituições extraterritoriais31%16%53%

Regras para múltiplas rendas

O contribuinte deve ficar atento ao acúmulo de fontes pagadoras. Se um cidadão possui dois empregos ou recebe aluguel e salário, e a soma desses valores ultrapassar R$ 5 mil mensais, ele precisará ajustar as contas na declaração anual. A isenção automática ocorre diretamente na fonte, mas o cálculo final considera o rendimento total anual.

Impacto nas altas rendas

Para equilibrar as contas públicas, o projeto estabelece uma tributação mínima para quem possui rendimentos superiores a R$ 600 mil por ano, ou R$ 50 mil por mês. Estima-se que apenas 141 mil contribuintes, o equivalente a 0,13% dos declarantes, serão afetados por esse aumento de carga tributária, garantindo o financiamento da isenção para a classe média e baixa.

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