BH lança programa para substituir carroças por triciclos elétricos

Prefeitura inicia testes com veículos sem tração animal para catadores, com troca de cavalos e CNH social; medida cumpre lei que proíbe prática a partir de janeiro de 2026

Reprodução Redes Sociais
Luciano Meira

A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) lançou programa pioneiro para substituir carroças puxadas por animais por triciclos elétricos, iniciando testes nesta semana com carroceiros cadastrados. A iniciativa, inspirada no “Ecoleta” de Maceió, permite que profissionais troquem os equinos por veículos sem emissão de poluentes, obtendo CNH de moto social e treinamento, em cumprimento à Lei 11.285/2021, que proíbe a tração animal na capital a partir de 22 de janeiro de 2026. Cerca de 416 carroceiros estão cadastrados, com 387 carroças emplacadas, e o plano visa reinserção digna no mercado de coleta seletiva.Proibição e transição

A legislação, aprovada em 2021 e antecipada em 2023 pela Câmara Municipal de 2031 para 2026, criou o programa “Carreto do Bem” para mitigar impactos, com comissão especial coordenada pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico. Desde 2024, a PBH firmou parcerias com UEMG para censo socioeconômico de 300 carroceiros e 800 cavalos estimados, oferecendo qualificação em TI, zeladoria e design de sobrancelhas, além de bolsas durante cursos. O prefeito Álvaro Damião visitou Maceió em 2025 para estudar o modelo, que exige doação de animais e coleta em ecopontos com recarga sustentável.

Detalhes do programa e suporte aos envolvidos

Os triciclos, com autonomia de até 100 km, serão fornecidos a habilitados, priorizando quem obtém CNH social; idosos acima de 65 anos recebem capacitação alternativa ou auxílio previdenciário. Para cavalos, prevê-se vacinação, microchipagem, ferrageamento e adoção voluntária via OSC parceira da Secretaria de Meio Ambiente. O plano inclui inclusão no Sine-BH, GOBH para vagas e serviços socioassistenciais nos CRAS, com audiências públicas para ajustes junto a associações.

Impactos esperados e modelos semelhantes

A medida alinha sustentabilidade ambiental, bem-estar animal e geração de renda formal, transformando carroceiros em coletores regulados com salário mínimo e benefícios, como em Maceió, onde oito ecopontos suportam a operação. Críticas de carroceiros apontam falta inicial de planejamento, mas testes atuais visam adesão voluntária. Projetos análogos no DF e Maceió comprovam viabilidade, reduzindo “bota-fora” e exploração animal na cidade.

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