Anvisa suspende venda de fórmula infantil Alfamino da Nestlé por excesso de selênio e iodo
Dez lotes do produto para bebês alérgicos são suspensos em todo o país; Nestlé inicia recolhimento mundial sem relatos de doenças, mas alerta para riscos em lactentes

Luciano Meira
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou nesta quinta-feira (12/2) o recolhimento de dez lotes da fórmula infantil Alfamino 400g, fabricada pela Nestlé Brasil, após análises detectarem níveis elevados de selênio (31,1 mcg/100 kcal) e iodo (175,7 mcg/100 kcal), acima dos limites legais para produtos especiais à base de aminoácidos livres. A medida, publicada no Diário Oficial da União pela Resolução-RE nº 521, proíbe comercialização, distribuição, importação, propaganda e uso dos lotes afetados, destinados a bebês com alergia grave à proteína do leite de vaca ou restrição de lactose.
A Nestlé confirmou o recall em escala global, atingindo países como França, Alemanha, Itália e Argentina, com reembolso aos consumidores e substituição dos lotes, sem registros confirmados de efeitos adversos até o momento. A empresa atribui o problema a um “excesso de cautela” e prioriza a segurança infantil, orientando devoluções via canais oficiais. Excessos desses micronutrientes podem causar intoxicação em lactentes, com sintomas como queda de cabelo, fragilidade ungueal, náuseas ou distúrbios tireoidianos, dada a imaturidade do organismo infantil.
Os lotes envolvidos são: 50310017Y2, 51060017Y1, 50720017Y1, 50710017Y4, 50290017Y1, 50280017Y2, 43510017Y1, 43480017Y2, 43110017Y2 e 41730017Y2. Pais devem verificar embalagens, suspender uso imediato e contatar a Nestlé para troca ou devolução, conforme orientação da Anvisa. O episódio segue recalls anteriores da Nestlé em janeiro de 2026 por risco de toxina cereulida em fórmulas, reforçando escrutínio sobre padrões nutricionais infantis. Pediatras em Minas recomendam alternativas aprovadas pelo Ministério da Saúde para evitar desabastecimento em casos de alergia.
