Pesquisa revela apoio de 73% ao fim da escala 6×1 sem corte salarial
Nexus ouviu 2 mil brasileiros e mostra que 84% querem pelo menos duas folgas semanais, em debate que avança no Congresso

Luciano Meira
Pesquisa da Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados, divulgada nesta quinta-feira (12), indica que 73% dos brasileiros apoiam o fim da escala 6×1 – seis dias de trabalho seguidos por apenas um de folga –, desde que não haja redução salarial. O levantamento, realizado entre 30 de janeiro e 5 de fevereiro com 2.021 pessoas acima de 16 anos em todas as unidades da federação, tem margem de erro de 2 pontos percentuais e reforça o clamor por mais descanso em meio ao debate legislativo no governo Lula.
Metodologia e resultados principais
Inicialmente, 63% declararam apoio genérico ao fim da escala, contra 22% contrários; ao incluir a condição salarial, 10% dos opositores mudaram de posição, elevando o favor para 73%, enquanto apenas 28% mantêm apoio mesmo com perda remuneratória. Outros 84% defendem no mínimo dois dias de folga semanal, e 62% conhecem o debate no Congresso, embora só 12% o entendam em profundidade.
O apoio é maior entre eleitores de Lula em 2022 (71%), contra 53% dos bolsonaristas, destacando viés político na pauta que ganha tração como bandeira trabalhista.
Contexto do debate legislativo
A escala 6×1, comum em comércio, indústria, serviços e logística, é alvo da PEC 148/2015, aprovada em dezembro de 2025 na CCJ do Senado e agora na Câmara, propondo transição gradual: manutenção atual em 2026, dois descansos a partir de 2027, jornada de 40 horas em 2028 e 36 horas a partir de 2031, sem corte salarial inicial. O texto visa melhorar qualidade de vida e produtividade, mas enfrenta resistência empresarial pelo custo estimado em 7,84% maior pelo Ipea.
Projetos paralelos na Câmara, como o da deputada Erika Hilton (PSOL-SP), buscam jornada de quatro dias úteis por 36 horas semanais, apoiados por movimentos como VAT (Vida Além do Trabalho).
Implicações econômicas e sociais
Setores essenciais como saúde e segurança terão adaptações via negociação coletiva, enquanto críticos alertam para impactos em cadeias produtivas contínuas. Defensores, como o CEO da Nexus Marcelo Tokarski, veem na pesquisa sinal de que trabalhadores rejeitam folga extra com perda salarial, em país de alta precarização laboral.
