Morre Jesse Jackson, ícone dos direitos civis americanos aos 84 anos

Pastor e ativista democrata, que esteve ao lado de Martin Luther King e concorreu à Presidência duas vezes, faleceu pacificamente nesta terça-feira; família pede continuidade na luta por igualdade

Reverendo Jesse Jackson – Foto: Reprodução Redes Sociais
Luciano Meira

O reverendo Jesse Jackson, pastor batista e uma das figuras centrais da luta pelos direitos civis nos Estados Unidos, morreu nesta terça-feira (17), aos 84 anos, em Chicago, rodeado pela família, que confirmou o falecimento em nota oficial sem divulgar a causa exata. Nascido em 1941 na Carolina do Sul, em pleno regime de segregação racial, Jackson ganhou projeção nos anos 1960 ao se juntar à Conferência Sul de Liderança Cristã (SCLC), de Martin Luther King Jr., participando de marchas como a de Selma a Montgomery em 1965 e estando presente no Lorraine Motel, em Memphis, quando King foi assassinado em 1968.Sua trajetória foi marcada por campanhas incansáveis pela igualdade racial, econômicos e sociais, culminando em duas candidaturas à nomeação presidencial democrata, em 1984 e 1988, quando formou a “coalizão arco-íris” unindo pobres, trabalhadores e minorias para ampliar a agenda do partido. Fundou organizações como Operation PUSH (1971), focada em boicotes econômicos para empregos negros, e a Rainbow PUSH Coalition (1996), que promoveu ativismo global contra o apartheid na África do Sul e negociações para libertação de reféns em Síria, Iraque e Sérvia.

Mesmo após revelar em 2017 o diagnóstico de Parkinson – atualizado para paralisia supranuclear progressiva (PSP), doença neurodegenerativa rara que afeta movimentos e equilíbrio –, Jackson manteve engajamento público, apoiando o Black Lives Matter e manifestando-se em 2020 após a morte de George Floyd em Minneapolis. Em novembro de 2025, foi hospitalizado por complicações da PSP, segundo a Rainbow PUSH Coalition, limitando suas aparições nos últimos anos.

A família destacou seu “compromisso inabalável com a justiça, igualdade e direitos humanos, moldando um movimento global pela liberdade e dignidade”, pedindo que honrem sua memória continuando a luta pelos oprimidos e voiceless. Sua carreira teve controvérsias, como o uso de termo antissemita em 1984 e apoio a Michael Jackson em 2005, mas seu legado como orador impassioned e “pathfinder” racial é inegável, inspirando desde a eleição de Barack Obama, em 2008, até ativistas atuais.

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