Poço sem fundo: Banco Central liquida extrajudicialmente o Banco Pleno, ex-braço do conglomerado Master

Medida atinge instituição de Augusto Lima, preso em operação contra fraudes financeiras, e bloqueia bens de controladores

Divulgação BCB
Luciano Meira

O Banco Central decretou nesta quarta-feira (18) a liquidação extrajudicial do Banco Pleno, ex-Voiter e que já integrou o grupo investigado do Banco Master, devido a graves problemas de liquidez, descumprimento de normas regulatórias e deterioração econômico-financeira.

Motivos da intervenção

A decisão abrange também a Pleno DTVM, com extensão do regime especial, motivada por comprometimento da situação financeira da instituição, falta de liquidez e violação de determinações do BC, como proibição de emissão de novos CDBs.O BC destacou que o conglomerado representa apenas 0,04% do ativo total do sistema financeiro nacional, mas prosseguirá com apurações para responsabilizar controladores e administradores, cujos bens foram bloqueados.

Histórico ligado ao Master

O Banco Pleno, anteriormente Indusval e depois Voiter, foi adquirido pelo conglomerado Master em fevereiro de 2024 e transferido em julho de 2025 para Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, com aval do BC.

Lima saiu do Master em abril de 2024, mas manteve o controle do Pleno, focado em financiamento empresarial e agronegócio, que acumulava reestruturações por prejuízos anteriores.

Ambos os empresários foram presos em novembro de 2025 na Operação Compliance Zero, da PF, que apura fraudes em carteiras de crédito consignado vendidas pelo Master ao BRB, com prejuízo estimado em R$ 12 bilhões; foram soltos com tornozeleira.

Situação financeira revelada

Dados de junho de 2025 mostram patrimônio líquido de R$ 672,6 milhões e lucro de R$ 169,3 milhões, mas passivo de R$ 6,68 bilhões, majoritariamente CDBs de R$ 5,4 bilhões negociados a 165% do CDI no secundário.

Sem novas captações, o pagamento de compromissos se tornou inviável, agravando a crise que levou à liquidação, similar à do Master, Letsbank e outros em novembro de 2025 e janeiro de 2026.

Quem é Augusto Lima

Baiano radicado na Faria Lima, Lima ascendeu com o Credcesta em 2018, expandindo crédito consignado por associações de servidores em 24 estados e usando fundos da Reag, liquidada em investigações ligadas ao PCC.

Sua defesa afirma que irregularidades no Pleno ocorreram antes de sua saída do Master, e o banco negava ser alvo direto da Compliance Zero.

Consequências para credores e sistema

Clientes com até R$ 250 mil por CPF terão proteção do FGC, mas tomadores de empréstimos podem enfrentar interrupções; o BC priorizará pagamentos prioritários na liquidação.

A sequência de liquidações no grupo Master reforça a necessidade de maior regulação de instituições de pequeno porte e fundos de investimento, com foco em compliance e transparência.

O Metropolitano

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