Ex-príncipe Andrew é preso no Reino Unido por suspeita de má conduta em cargo público

Irmão do rei Charles III, detido nesta quinta-feira (19), enfrenta investigações ligadas ao caso Epstein; polícia faz buscas em suas residências

O ex-príncipe Andrew Mountbatten-Windsor – Foto: Reprodução Redes Sociais
Luciano Meira

O ex-príncipe Andrew Mountbatten-Windsor, irmão mais novo do rei Charles III, foi preso nesta quinta-feira (19) pela polícia do Vale do Tâmisa, no Reino Unido, sob suspeita de má conduta no exercício de funções oficiais, em meio a investigações sobre sua amizade com o financista americano Jeffrey Epstein, condenado por tráfico sexual de menores. A detenção ocorreu no dia em que ele completa 66 anos, com buscas em andamento em suas residências em Berkshire e Norfolk, conforme declaração oficial da polícia britânica.

Detalhes da prisão e investigações em curso

A polícia confirmou a prisão de um homem na faixa dos 60 anos em Norfolk por “misconduct in public office”, sem divulgar o nome para evitar desacato à Justiça, mas fontes da mídia britânica, como BBC e The Sun, identificam Andrew como o suspeito. A ação policial inclui buscas em propriedades ligadas ao ex-príncipe, incluindo sua antiga residência no Royal Lodge, em Windsor, de onde ele foi expulso recentemente, e em Sandringham.A investigação ganhou força após a divulgação de milhões de documentos do Departamento de Justiça dos EUA sobre Epstein, revelando que Andrew teria enviado relatórios confidenciais ao criminoso durante sua atuação como enviado especial britânico para o Comércio Internacional, entre 2001 e 2007. Esses documentos mencionavam oportunidades de investimento em países como Vietnã, Singapura e Afeganistão, levantando suspeitas de vazamento de informações sensíveis.

Contexto histórico: perda de títulos e escândalos com Epstein

Em outubro de 2025, o rei Charles III retirou de Andrew todos os seus títulos reais e militares, uma decisão histórica, após novas revelações constrangedoras ligadas a Epstein, forçando-o a deixar o Royal Lodge, onde morava com a ex-esposa Sarah Ferguson há mais de 20 anos. Andrew sempre negou qualquer conduta ilegal, mas foi acusado por Virginia Giuffre de agressão sexual quando ela era menor de idade, acordo resolvido em processo civil nos EUA em 2022.

Documentos recentes incluem fotos de Andrew com uma jovem, e-mails convidando Epstein a Buckingham Palace e relatos de uma mulher traficada para relações sexuais com ele em 2010, além de uma noite com “bailarinas exóticas” em 2006. A principal testemunha de Epstein se suicidou em abril de 2025, mas novas alegações emergiram, acelerando a ação policial.

Reações oficiais e possíveis consequências

O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, afirmou que “ninguém está acima da lei” e defendeu que Andrew deponha no Congresso americano sobre o caso Epstein. O Palácio de Buckingham não comentou imediatamente, mas fontes reais indicam preocupação crescente do rei com o envolvimento do irmão. A polícia pode mantê-lo detido por até 96 horas para interrogatório, sem tratamento especial, em uma cela comum.

Caso condenado por má conduta em cargo público, Andrew pode enfrentar prisão perpétua, segundo especialistas ouvidos pela BBC. O caso representa mais um golpe à imagem da monarquia britânica, já abalada por controvérsias envolvendo o ex-príncipe, outrora favorito da rainha Elizabeth II.

Linha do tempo dos principais eventos

2001-2007 Andrew atua como enviado comercial do Reino Unido
2010 Revelações iniciais de relatórios enviados a Epstein
2022 Acordo em processo de Virginia Giuffre nos EUA
Out/2025 Perda de títulos reais e expulsão de Windsor
Fev/2026 Prisão por má conduta em Norfolk

O caso segue em andamento, com autoridades prometendo atualizações conforme apropriado, enquanto a opinião pública acompana os desdobramentos de um escândalo que mistura realeza, poder e crimes sexuais.

O Metropolitano

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