Emendas de Viana à entidade ligada à Igreja Lagoinha expõem conflito na CPMI do INSS
Senador destinou R$ 3,6 milhões à igreja ligada a investigados do Banco Master e nega vínculos pessoais

Luciano Meira
O senador Carlos Viana (Podemos/MG), presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, admitiu ter enviado R$ 3,6 milhões em emendas parlamentares para a Fundação Oasis, entidade vinculada à Igreja Batista da Lagoinha, em Belo Horizonte.
A Igreja Lagoinha tem relações próximas com Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro. Ambos estão presos sob suspeita de fraudes no Banco Master, instituição acusada de aplicar, entre outros golpes no mercado financeiro, golpes em aposentados e pensionistas. Zettel atuou como pastor em uma filial da Lagoinha, o que reforça a ligação entre os investigados e a entidade beneficiada pelas emendas.
Viana nega qualquer vínculo com Zettel ou Vorcaro e afirma que ajudou “dezenas de fundações” com recursos públicos. No entanto, parlamentares da oposição acusam o senador de blindar a Igreja Lagoinha dentro da CPMI, evitando que a instituição seja alvo direto das investigações.
Os repasses somaram R$ 3,6 milhões, valor significativo diante da crise fiscal e das denúncias de desvios no INSS. Críticos apontam que, ao presidir a comissão que investiga fraudes contra aposentados, Viana deveria se afastar de qualquer entidade ligada a suspeitos de envolvimento no escândalo.
A atuação do senador pode ser interpretada como conflito de interesses, já que o Banco Master é investigado como um dos responsáveis pelo golpe contra beneficiários do INSS. Caso se confirme a blindagem institucional, a credibilidade da CPMI pode estar comprometida.
Em entrevista, Viana afirmou que não pretende proteger investigados e que pedirá dados sobre Zettel à CPMI. “O governo deve muito às igrejas”, disse sem explicar que dívida seria esta, justificando os repasses como parte de sua política de apoio a entidades sociais.
Neste momento em que surge a denúncia, o senador Carlos Viana (Podemos-MG), ampliou as críticas ao Supremo Tribunal Federal ao pedir o afastamento do ministro Alexandre de Moraes das investigações relacionadas ao Banco Master, alegando suspeição. A postura, no entanto, contrasta com sua própria situação.
A incoerência do senador chama atenção porque, enquanto exige rigor e imparcialidade de um ministro do STF, o senador relativiza os vínculos políticos e financeiros que o aproximam de uma entidade associada a personagens centrais do caso, cobrando transparência dos outros, mas se colocando acima das mesmas regras que defende.
Especialistas em direito público e ética parlamentar avaliam que o caso expõe fragilidades no sistema de emendas e na condução de comissões de inquérito. A destinação de recursos a entidades ligadas a investigados compromete a imparcialidade do processo e pode minar a confiança da sociedade no trabalho legislativo.
