Carlos Viana compromete CPMI: reinserção de dados de Vorcaro pode anular provas
Sob gestão do senador, ruptura na cadeia de custódia expõe falhas graves na investigação do INSS

Luciano Meira
A reinserção de dados do celular de Daniel Vorcaro nos sistemas da CPMI do INSS, identificada pela Polícia Federal, coloca em xeque todo o processo investigativo sobre fraudes no INSS e no Banco Master. O episódio compromete a cadeia de custódia das provas, podendo levar à nulidade de evidências cruciais, conforme protocolos do Pacote Anticrime (Lei 13.964/2019), que exige rastreabilidade ininterrupta desde a coleta até o juízo.
A Polícia Federal comunicou ao ministro André Mendonça, do STF, que a presidência da CPMI, sob comando do senador Carlos Viana (Podemos-MG), solicitou diretamente à Apple novo download de arquivos de nuvem após exclusão determinada judicialmente. Essa manobra rompeu o controle judicial inicial, abrindo brecha para arguição de contaminação ou adulteração das provas por parte da defesa de Vorcaro, preso no esquema Master.
Sob a responsabilidade direta de Viana, o fato agrava o desgaste da comissão em momento delicado. O presidente da CPMI enfrenta questionamentos sobre sua relação com a Igreja da Lagoinha, incluindo a destinação de R$ 3,6 milhões em emendas parlamentares para entidade ligada à igreja. Protagonistas do caso, os presos Daniel Vorcaro e Fabiano Zettel mantêm estreitas conexões com a mesma instituição religiosa, o que levanta suspeitas de interferência no andamento das investigações.
Especialistas em direito processual penal alertam que interrupções na cadeia de custódia, como armazenamento não autorizado, frequentemente resultam em exclusão de provas, forçando reinícios de diligências e atrasando apurações. A PF já indicou possível responsabilização da CPMI, com risco de sanções ao Congresso por descumprimento de ordens judiciais.
Até o momento, o senador Carlos Viana não se manifestou sobre o episódio ou as polêmicas envolvendo a Igreja da Lagoinha. O caso expõe tensões entre poderes e fragiliza a CPMI, que busca esclarecer desvios bilionários no INSS vinculados ao esquema Master.
