A chegada de Viana ao PSD transforma Simões em zelador do Tiradentes até dezembro

A filiação do senador Carlos Viana ao PSD isola o governador Mateus Simões e fragmenta a direita mineira na disputa eleitoral de 2026

Carlos Viana e Mateus Simões – Fotos: Reprodução Redes Sociais – Arte: RMC
Luciano Meira

O senador Carlos Viana (ex-Podemos) acertou sua entrada no PSD para buscar a reeleição ao Senado. O movimento ocorre em um momento de fragilidade para o governador Mateus Simões (PSD), que assumiu o cargo após a renúncia de Romeu Zema (Novo) para disputar a Presidência da República. A chegada de Viana ao partido de Simões gera resistências internas e externas, reduzindo as chances de uma ampla aliança eleitoral em torno do governador.

Marcelo Aro (PP), secretário da Casa Civil e principal articulador político do governo, demonstrou descontentamento com a nova composição. Ele criticou publicamente a atuação de Viana na presidência da CPMI do INSS, afirmando que o colegiado não apresentou resultados concretos nem relatório final. Aro defendia uma aproximação com o PL, que recentemente filiou o empresário Vittorio Medioli e o presidente da Fiemg, Flávio Roscoe, sinalizando até mesmo o lançamento de uma candidatura própria ao governo mineiro.A tensão entre Aro e Viana decorre da ocupação da vaga ao Senado na chapa majoritária sem considerar articulações políticas já em andamento. Outro fator de desgaste foi a tentativa de Viana de incluir no relatório da CPMI o indiciamento de Euclydes Pettersen, presidente estadual do Republicanos — partido do senador Cleitinho, líder nas pesquisas de intenção de voto para governador. Cleitinho seria, ainda que não admita publicamente, uma alternativa para Aro caso a candidatura de Simões não avance. Viana foi acusado por adversários de usar a comissão como instrumento político, ao mesmo tempo em que evitava apurar supostas irregularidades ligadas à Igreja da Lagoinha. O ministro do STF Flávio Dino investiga o repasse de R$ 3,6 milhões em emendas de Viana para a Fundação Oásis, que teria atendido apenas cinco pessoas com esse montante.

A estratégia eleitoral de Mateus Simões sofreu um revés com a mudança partidária. Ele deixou o Novo para ingressar no PSD com o objetivo de isolar Rodrigo Pacheco e atrair a direita mineira. No entanto, o PSD nacional lançou Ronaldo Caiado à Presidência, obrigando Simões a apoiar o candidato da legenda e afastando o PL de seu palanque, além de criar constrangimento com seu padrinho político, Romeu Zema.

Pesquisas de intenção de voto até março de 2026 mostram Simões em patamares baixos. O índice de rejeição elevado e a falta de crescimento reforçam a percepção de que sua candidatura é natimorta. Com a máquina estatal dividida entre o projeto de reeleição de Viana e as pretensões do PP, Republicanos e PL, o governador perde capacidade de aglutinar forças em torno de seu nome.

A fragmentação da base aliada isola o grupo político de Zema. O ex-governador, com estrutura partidária limitada para uma campanha nacional, vê seu sucessor enfrentar dificuldades para consolidar uma coalizão robusta. O PL, ao vislumbrar uma chapa majoritária com Domingos Sávio para o Senado e candidatura própria ao governo, deixa Simões sem apoio da direita conservadora e dos setores industriais representados pela Fiemg.

O cenário atual aponta para um esvaziamento político da gestão estadual. Sem controle pleno do PSD mineiro — onde permanecem Alexandre Silveira, ministro de Minas e Energia do governo Lula, e outros quadros ligados a Pacheco —, sob pressão de investigações federais que atingem Viana e diante do descontentamento público de Marcelo Aro, Mateus Simões tende a exercer um papel meramente administrativo nos próximos meses. Seguindo nessa trajetória, o governador atuará como um zelador temporário do Palácio Tiradentes, um coadjuvante sem fôlego para influir decisivamente na eleição de 2026.

O Metropolitano

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