Lula lidera todos os cenários e apoio a Pacheco muda rumo em Minas Gerais
Pesquisa AtlasIntel revela favoritismo do presidente no estado e aponta que aliança com Lula garante vitória do senador Rodrigo Pacheco ao governo mineiro

Luciano Meira
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantém a liderança em todos os cenários de intenção de voto para a Presidência em Minas Gerais, segundo dados da pesquisa AtlasIntel divulgada nesta quarta-feira (1º). No principal cenário estimulado, Lula aparece com 43,7% das preferências, superando Flávio Bolsonaro (40,4%) e o atual governador Romeu Zema (4,7%). O levantamento, realizado entre os dias 25 e 30 de março de 2026, consolida a força eleitoral do petista no segundo maior colégio eleitoral do país.
A influência do presidente é determinante para a disputa ao Palácio Tiradentes. Quando o senador Rodrigo Pacheco (PSD) é apresentado como o candidato apoiado por Lula, ele assume a liderança com 37,9% das intenções de voto. Nesse contexto, Pacheco ultrapassa Cleitinho Azevedo (34,2%) e isola o atual governador Mateus Simões, que, mesmo com o suporte conjunto de Jair Bolsonaro e Romeu Zema, amarga a terceira posição com apenas 11,5%.
Os números da AtlasIntel indicam que Romeu Zema e seu sucessor, Mateus Simões, ocupam hoje um papel secundário no tabuleiro político mineiro. Em um eventual segundo turno contra Pacheco, Simões seria derrotado por uma margem de 12 pontos percentuais (43% a 31%). A rejeição ao grupo governista é evidenciada pelo desejo de mudança: 61,3% dos eleitores mineiros afirmam preferir um candidato que faça uma gestão diferente da atual, contra apenas 35,2% que defendem a continuidade.
Rodrigo Pacheco consolida-se como o nome mais competitivo da centro-esquerda ao demonstrar alta capacidade de transferência de votos. No cenário de segundo turno contra Cleitinho Azevedo, o senador vence por 47% a 42%. O desempenho de Pacheco é impulsionado pela aprovação de Lula entre os mineiros e pela fragmentação da direita, que não consegue viabilizar a candidatura de Simões como uma alternativa competitiva à hegemonia petista no estado.
A avaliação negativa das gestões estadual e federal em Minas também favorece o oposicionismo. O governo de Romeu Zema é desaprovado por 55% dos entrevistados, índice similar à desaprovação do desempenho do presidente Lula no estado (56%). Contudo, a base de apoio de Lula mostra-se mais sólida e capaz de definir o próximo ocupante do governo estadual, enquanto o espólio político de Zema não tem sido suficiente para alavancar Simões nas sondagens.
Especialistas apontam que o isolamento de Mateus Simões reflete o desgaste do modelo de gestão do partido Novo e a dificuldade de Zema em transferir seu capital político. A entrada de Pacheco na disputa, sob as bênçãos do Planalto, altera a dinâmica das alianças regionais, forçando partidos de centro a reverem o apoio ao atual governo estadual. O impacto econômico e social das políticas federais em Minas parece pesar mais na decisão do eleitor do que a agenda administrativa local.
O cenário desenhado pela AtlasIntel projeta uma eleição polarizada nacionalmente, mas com vantagem para o campo progressista em território mineiro. A manutenção da liderança de Lula e a viabilidade de Pacheco indicam uma possível mudança de comando no estado após oito anos de governos de direita. Para Simões e Zema, resta o desafio de reverter a percepção de “figurantes” em um processo que, até o momento, é dominado pelas figuras do presidente e do senador.
