Agência de imigração dos EUA prende Alexandre Ramagem em Orlando

Ex-diretor da Abin estava foragido após condenação do STF a 16 anos de prisão por tentativa de golpe

O foragido preso Alexandre Ramagem – Arquivo RMC

Luciano Meira

O Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos Estados Unidos (ICE) prendeu o ex-deputado federal Alexandre Ramagem nesta segunda-feira (13), em Orlando, na Flórida. A Polícia Federal confirmou a detenção, motivada por irregularidades migratórias no território norte-americano.

Ramagem estava foragido desde setembro de 2025, após o Supremo Tribunal Federal (STF) condená-lo a 16 anos, um mês e 15 dias de reclusão. A Corte fixou o regime inicial fechado pelos crimes de tentativa de golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e organização criminosa armada.

Segundo as investigações, o ex-parlamentar integrou o núcleo central da trama que visava manter o ex-presidente Jair Bolsonaro no poder após as eleições de 2022. Ramagem teria utilizado a estrutura de inteligência do governo para monitorar adversários e dar suporte logístico aos planos de ruptura institucional.

O ex-deputado deixou o Brasil de forma clandestina por Roraima, atravessando a fronteira terrestre com a Guiana antes de seguir para os Estados Unidos. Na ocasião, a Justiça brasileira já havia determinado o recolhimento de seu passaporte e aplicado a proibição de saída do país.

Em novembro de 2025, o ministro Alexandre de Moraes decretou a prisão preventiva do político devido à fuga. O governo brasileiro solicitou formalmente a extradição em dezembro e inseriu o nome de Ramagem na lista de difusão vermelha da Interpol, o que permitiu o monitoramento internacional do foragido.

Delegado da Polícia Federal, Ramagem chefiou a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) entre 2019 e 2022. Ele perdeu o mandato de deputado federal em dezembro, após a Câmara declarar a extinção do cargo em decorrência da condenação criminal definitiva transitada em julgado.

O ex-parlamentar permanece sob custódia americana enquanto aguarda o processamento administrativo da deportação. O Ministério da Justiça e o Itamaraty coordenam as negociações para que o condenado retorne ao Brasil para cumprir a pena estipulada pelo Supremo.

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