Zema segue coadjuvante nas pesquisas e vira alvo de suspeitas fiscais em Minas
Ex-governador não decola no levantamento BTG/Nexus enquanto oposição cobra investigações sobre benefícios a Daniel Vorcaro

Luciano Meira
A ambição de Romeu Zema (Novo) de se consolidar como o principal nome da direita para a sucessão presidencial de 2026 sofreu um duplo revés. No campo eleitoral, a terceira rodada da pesquisa BTG/Nexus, divulgada nesta segunda-feira (25), confirmou o fraco desempenho do ex-governador de Minas Gerais, que segue isolado na condição de coadjuvante. No plano ético e político, a situação se deteriorou com o protocolo de um pedido de investigação sobre supostos privilégios fiscais concedidos pelo seu governo a empresas ligadas ao banqueiro preso Daniel Vorcaro.
Os dados do instituto Nexus mostram o tamanho da estagnação da pré-candidatura do político do Novo. No principal cenário estimulado de primeiro turno, Zema amarga a quinta colocação, registrando apenas 4% das intenções de voto. O índice o coloca tecnicamente empatado com o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), que soma 5%, e com o influenciador do MBL Renan Santos, que pontua 3%. O resultado repete os números de levantamentos anteriores, demonstrando a incapacidade do mineiro de romper as fronteiras de seu estado natal e construir uma base nacional consolidada.
A estagnação eleitoral coincide com o avanço da oposição na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). O deputado Professor Cleiton (PV) acionou oficialmente o Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG) para devassar a política de incentivos do Palácio Tiradentes. A representação exige a apuração imediata de Regimes Especiais de Tributação (RET), refinanciamentos de dívidas (Refis) e isenções fiscais que teriam beneficiado companhias controladas por Daniel Vorcaro e seus familiares. Entre as principais empresas sob suspeita está a Asset Energy Holding LTDA.
O pivô do escândalo é o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, que teve sua liquidação decretada pelo Banco Central após a descoberta de fraudes bilionárias. Vorcaro cumpre prisão preventiva após investigações da Polícia Federal apontarem o desvio de recursos públicos e esquemas financeiros sofisticados. A denúncia na ALMG ganha contornos de conflito de interesses porque o pai do banqueiro, Henrique Moura Vorcaro, foi um dos principais financiadores da campanha de reeleição de Romeu Zema ao governo mineiro, tendo doado R$ 1 milhão ao comitê eleitoral do partido Novo.
As suspeitas envolvendo o grupo de Vorcaro se somam a outras frentes de desgaste que minam o discurso de eficiência técnica da gestão passada. Antes de deixar o cargo para se dedicar integralmente à pré-campanha presidencial, Zema enfrentou forte desgaste na área educacional. A oposição e órgãos de controle questionam o gasto de cerca de R$ 346 milhões na aquisição do material didático “Aprender Mais”. O contrato, que provocou o afastamento do então secretário de Educação Igor de Alvarenga, é investigado pelo Tribunal de Contas devido a indícios de superfaturamento e direcionamento.
O funcionalismo público estadual também acumula fortes queixas contra a herança deixada pelo empresário na administração pública. Sindicatos da educação e das forças de segurança acusam o Executivo de descumprir acordos históricos e calculam perdas salariais acumuladas de aproximadamente 30% em relação à inflação. A insatisfação explodiu com a recusa do Palácio em aplicar o piso nacional do magistério e a concessão de reajustes abaixo dos índices inflacionários, provocando greves sucessivas de professores e policiais nos primeiros meses deste ano.
Nas simulações de segundo turno testadas pela Nexus, o fraco desempenho do político se converte em uma barreira intransponível. Num eventual embate direto contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Zema seria derrotado por 49% a 38% dos votos. O levantamento mostra ainda que, mesmo entre eleitores de oposição, a rejeição ou o desconhecimento de seu nome no cenário nacional impedem o crescimento da candidatura, que perde espaço para o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), posicionado com 35% no primeiro turno.
A perda de substância política do projeto presidencial de Zema acarreta impactos na reorganização da direita brasileira. A incapacidade de converter o recall de governador em votos nacionais força as lideranças de centro-direita a buscar alternativas com maior penetração popular no eleitorado conservador. O acúmulo de investigações administrativas e fiscais neutraliza a principal bandeira de Zema, baseada na moralidade e no combate aos privilégios estatais. O ex-governador corre o risco de ver sua campanha esvaziada antes mesmo das convenções partidárias oficiais.
