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Donos de cartório tem mais patrimônio que juízes, jogadores de futebol, empresários e fazendeiros

Nova ferramenta da Receita Federal disponibiliza dados para consulta pública

Pexels

Luciano Meira

Os titulares de cartório foram a categoria profissional com maior patrimônio médio declarado no Imposto de Renda da Pessoa Física em 2026, mostram dados divulgados pela Receita Federal. Cada contribuinte desse grupo informou, em média, bens de R$ 3,28 milhões — quase oito vezes o patrimônio médio declarado pelos brasileiros obrigados a prestar contas ao Fisco, de R$ 409 mil.

As informações fazem parte de uma nova plataforma estatística da Receita que reúne dados consolidados das declarações referentes ao ano-calendário de 2025. A ferramenta permite consultar indicadores por profissão, faixa de renda, patrimônio, idade, sexo, raça, unidade da Federação e outras variáveis, sem identificar os contribuintes.

Depois dos titulares de cartório, aparecem no ranking os membros do Poder Judiciário, com patrimônio médio de R$ 2,93 milhões, seguidos pelos integrantes do Ministério Público, com R$ 2,9 milhões. Diplomatas declararam, em média, R$ 2,52 milhões, enquanto atletas profissionais informaram R$ 1,71 milhão.

Também figuram entre os maiores patrimônios médios dirigentes de empresas industriais, com R$ 1,66 milhão, e produtores agropecuários, com R$ 1,58 milhão. Os dados refletem apenas as declarações entregues à Receita e não representam a distribuição de riqueza de toda a população brasileira.

Confira o ranking do patrimônio médio conforme a ocupação principal (dados de 2025, declarados no Imposto de Renda 2026):

Titulares de cartório: R$ 3,28 milhões;

Membros do Poder Judiciário: R$ 2,93 milhões;

Membros do Ministério Público: R$ 2,9 milhões;

Diplomatas e afins: R$ 2,52 milhões;

Atletas, desportistas e afins: R$ 1,71 milhão;

Dirigente, presidente e diretor de empresa industrial: R$ 1,66 milhão;

Produtor agropecuário: R$ 1,58 milhão.

Acesse a plataforma da Receita Federal AQUI

A Receita afirma que a plataforma foi desenvolvida para ampliar a transparência sobre o sistema tributário e oferecer uma base de dados para pesquisadores, gestores públicos e cidadãos. As consultas são feitas apenas com informações agregadas, em conformidade com as regras de sigilo fiscal.

O órgão informa que os resultados só são exibidos quando há quantidade suficiente de declarações para impedir a identificação de pessoas. Informações individualizadas permanecem protegidas pela legislação tributária.

Os painéis reúnem exclusivamente contribuintes obrigados a entregar a declaração do Imposto de Renda. Em 2026, a obrigação alcançou, entre outros grupos, quem recebeu rendimentos tributáveis superiores a R$ 35.584 em 2025.

Neste ano, a Receita recebeu 44,498 milhões de declarações. Do total, 56,1% dos contribuintes têm direito à restituição, 23% terão imposto a pagar e 21% não apresentaram saldo. A base de dados também permite acompanhar indicadores sobre o uso da declaração pré-preenchida, do modelo simplificado e de outros recursos adotados pelos contribuintes.

A divulgação dos painéis faz parte da estratégia da Receita de ampliar a oferta de informações estatísticas sobre o Imposto de Renda sem comprometer o sigilo fiscal. A expectativa do órgão é que os dados sirvam de apoio para estudos sobre renda, patrimônio e perfil dos declarantes no país.

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