Professores ocupam o centro de Belo Horizonte em protesto contra escolas cívico-militares

Manifestação reúne educadores e comunidade escolar para denunciar falta de diálogo e transparência do governo Zema na expansão do modelo militarizado; audiência pública na ALMG debate o tema

Reprodução Instagram
Luciano Meira

Professores da rede estadual de Minas Gerais realizaram, nesta quinta-feira (10), uma grande manifestação no centro de Belo Horizonte contra o avanço das escolas cívico-militares no estado. O protesto, organizado pelo Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG), denuncia a condução apressada e sem transparência do projeto pelo governo de Romeu Zema, que enviou memorando a mais de 700 escolas para que decidam, até 18 de julho, sobre a adesão ao modelo.

Audiência pública debate o programa

No mesmo dia, às 14h, ocorre uma audiência pública na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), no Auditório José Alencar, para debater a continuidade da implementação do Programa das Escolas Cívico-Militares. A audiência foi solicitada pela presidenta da Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia, deputada estadual Beatriz Cerqueira (PT), e também conta com apoio dos deputados Lohanna França (PV), Luizinho (PT) e Professor Cleiton (PV), todos críticos ao modelo cívico-militar.O debate reúne representantes das escolas, educadores, o Sind-UTE/MG e outros integrantes das comunidades escolares. A presença do secretário de Estado da Educação, Igor Alvarenga, é esperada para prestar esclarecimentos sobre o memorando que pressiona as escolas a aderirem ao programa em curto prazo e sobre a legalidade da iniciativa, já que o modelo foi revogado em âmbito nacional em 2023 e enfrenta questionamentos de inconstitucionalidade.

Principais pontos de crítica dos professores

Falta de diálogo: Decisão tomada sem consulta prévia à comunidade escolar e sem estudos que comprovem a eficácia do modelo.

Pressa e ausência de transparência: Prazo curto para deliberação e ausência de dados públicos sobre resultados de evasão, violência e aprovação.

Riscos à autonomia pedagógica: Presença de militares sem formação pedagógica ameaça a liberdade de ensino e a gestão democrática das escolas.

O clima de tensão marca mais um capítulo no embate entre educadores e o governo mineiro, que insiste na expansão do modelo sob a justificativa de melhorar a disciplina e a segurança nas escolas. Para os profissionais da educação, trata-se de um projeto imposto, sem debate público, e que ameaça a autonomia pedagógica das instituições de ensino.

O Metropolitano

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