Zema recorre a culpados externos e expõe sua irrelevância política
Governador de Minas tenta responsabilizar Lula, Janja e STF por tarifas de Trump, mas revela isolamento nacional e internacional

Luciano Meira
O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, voltou a protagonizar um espetáculo de atribuição de culpas, desta vez responsabilizando o presidente Lula, a primeira-dama Janja e o Supremo Tribunal Federal pelas tarifas de importação impostas pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A tentativa de transformar um tema de política internacional em munição para o debate doméstico expõe, de forma contundente, a insignificância de Zema tanto no cenário global quanto no nacional.
No tabuleiro internacional, Zema é um mero espectador. Suas declarações sobre tarifas impostas por Trump – um tema que envolve relações bilaterais complexas e interesses econômicos de grandes potências – não têm qualquer peso ou repercussão fora das fronteiras mineiras. A tentativa de atribuir a líderes nacionais a responsabilidade por decisões tomadas por Washington beira o absurdo, e apenas reforça a irrelevância do governador no debate global.
No Brasil, a situação não é diferente. Apesar dos esforços de Zema em redes sociais e de suas performances cuidadosamente ensaiadas para agradar a base bolsonarista, as pesquisas mostram que suas intenções de voto, assim como as de seu vice, não passam do patamar de votos brancos e nulos. Nem mesmo os bolsonaristas enxergam nele uma candidatura viável ou confiável. Zema tenta utilizar o episódio como “apito de cachorro” para acenar à extrema-direita, mas recebe de volta apenas desconfiança e indiferença.
A insistência em buscar culpados externos serve, ainda, para camuflar questões mal resolvidas em sua própria administração. O empenho quase desesperado em fazer seu sucessor e manter fechadas as gavetas e a caixa-preta dos incentivos fiscais a aliados empresariais levanta suspeitas sobre a transparência e a lisura de sua gestão. A cada nova declaração, Zema parece mais um político à beira do ocaso, tentando evitar que as contas de seu governo sejam herdadas por adversários e que venham à tona temas pouco claros de sua administração.
Em suma, Romeu Zema se mostra cada vez mais isolado, recorrendo a manobras retóricas para manter alguma relevância junto a uma base que já não o reconhece como liderança. Sua atuação recente é o retrato de um governante em fim de ciclo, estrebuchando diante da inevitável perda de protagonismo.