Zema e Mateus Simões reagem à PF: “Solidariedade sem reembolso entre bolsonaristas”
Governo mineiro condena operação contra Bolsonaro; já a direita, segundo Quaest, ignora Zema como plano B

Luciano Meira
Se depender das declarações exaltadas do governador Romeu Zema (Novo) e do diligente vice Mateus Simões (Novo), Minas Gerais virou, ao menos por alguns minutos, o epicentro do levante retórico contra a operação da Polícia Federal que teve como alvo o ex-presidente Jair Bolsonaro. Zema, em defesa emocionada, classificou a ação como “ato absurdo de perseguição política” – frase que parece retirada de manual bolsonarista para uso emergencial em situações de crise. Enquanto isso, Mateus Simões, fiel escudeiro, multiplicou likes e palavras de ordem, acompanhando de perto Bolsonaro em eventos públicos, sinalizando uma fidelidade canina que, no universo pragmático do eleitorado conservador, pode valer pouco além do carinho canino.Mas os ventos nas hostes da direita estão tão favoráveis para Zema quanto um freezer para picolé. Segundo a pesquisa Quaest divulgada ontem, o mineiro do Novo praticamente não existe quando o assunto é ser o nome da direita pós-Bolsonaro. Entre os próprios bolsonaristas, o governador paulista Tarcísio de Freitas reina sozinho, escolhido por 42% como o sucessor ideal ao trono conservador. Zema? No universo empolgado dos apoiadores do “mito”, ele aparece com magros 2%, empatado com a margem de erro, com menos glamour que um vice decorativo em cena de formatura.
E não basta a performance performática nos palanques. Mesmo ostentando 62% de aprovação de governo entre os mineiros, Zema assiste à debandada dos sonhos presidenciais à direita: nem a fiel base conservadora parece querer saber de sotaque do interior e discurso meritocrático no comando do Brasil. Michelle Bolsonaro, por exemplo, surge como opção para 21% dos bolsonaristas, Eduardo Bolsonaro para 16% e até Ronaldo Caiado, com seu estilo ruralista raiz, ultrapassa Zema e outros figurantes na fila do pão.
Mateus Simões, por sua vez, esforça-se com o afinco dos que buscam ser vistos, mas termina relegado ao folclore eleitoral mineiro: de acordo com a mesma Quaest, mesmo sendo vice de um governador aprovado, amarga míseros 4% das intenções em qualquer cenário para o governo estadual, conseguindo a façanha de ser menos lembrado que senha de wi-fi em repartição pública.
No fim, a solidariedade declarada de Zema e Simões a Bolsonaro serve como demonstração de lealdade, mas, ironicamente, também como simbolismo do que falta na direita: até aliados provam do sabor amargo do ostracismo quando o carimbo dos “bolsonaristas raiz” não entra no álbum de figurinhas. A fila anda, e os mineiros – ao menos por ora – ficam de lanterna acesa procurando alguém que lhes ofereça o convite para a festa da direita nacional.