Zema e Mateus Simões: tão relevantes quanto pen drive esquecido no banheiro de Bolsonaro
Governador de Minas anuncia candidatura à presidência e leva junto seu vice, mas ambos lembram arquivo “de pouca relevância” encontrado onde ninguém queria procurar

Luciano Meira
A política mineira, conhecida pelo seu tradicional pão de queijo e pelo inusitado, resolveu inovar mais uma vez. O governador Romeu Zema, já mirando voos nacionais, declarou que lançará sua candidatura à presidência da República em agosto, trazendo logo atrás seu vice, Mateus Simões, como pré-candidato ao governo do estado. O anúncio, no entanto, gerou menos repercussão que o famoso pen drive encontrado no banheiro do ex-presidente Jair Bolsonaro: ninguém sabia da existência, e após muita análise, o conteúdo se provou de… “pouca relevância”.
A comparação, longe de ser injusta, resume o sentimento de grande parte dos observadores da cena política diante do ato duplo de autoafirmação do Palácio Tiradentes. Assim como o dispositivo perdido na intimidade do ex-presidente, Zema e Mateus parecem fazer parte daqueles fenômenos que, mesmo quando finalmente localizados e anunciados com pompa, acabam produzindo pouco além da curiosidade inicial e algumas piadas nos corredores do poder.A irrelevância de ambos, aliás, pode ser constatada nas pesquisas de intenção de voto divulgadas recentemente. O desempenho fraco de Zema nas sondagens nacionais e a virtual ausência de Mateus Simões entre os nomes mais citados para o Palácio da Liberdade reforçam a impressão de que, assim como o pen drive do banheiro, por mais que se procure algum conteúdo relevante, pouco ou nada há para ser encontrado.
O próprio governador, que já demonstrou apreço pelo minimalismo – inclusive no que diz respeito à presença política nacional –, agora tenta ocupar um espaço considerável em Brasília. Mas, se houvesse um “perito eleitoral” para avaliar a relevância dessa movimentação, o laudo dificilmente seria entusiasmado. Aliás, talvez já houvesse quem recomendasse devolver a dupla ao lugar de onde (quase) ninguém sentiu falta, antes que alguém precise inventariar a serventia real de ambos na vida nacional.
Enquanto isso, Minas segue aguardando algum conteúdo realmente inédito que não se perca, literalmente, pelo caminho.