Troca no comando da Educação mineira: Igor de Alvarenga deixa Secretaria e Rossieli Soares assume sob expectativas e polêmicas

Governo de Minas oficializa, após semanas de especulações, a saída de Igor de Alvarenga da Secretaria de Estado de Educação. O novo titular, Rossieli Soares, ex-ministro e ex-secretário nos estados de SP, AM e PA, tem trajetória marcada por controvérsias em gestões anteriores. O momento é de turbulência e desafios para a educação mineira

Rossieli Soares que substitui Igor de Alvarenga
Luciano Meira

O governo de Minas Gerais comunicou oficialmente, no início da noite desta sexta-feira (25), a saída de Igor de Alvarenga do comando da Secretaria de Estado de Educação (SEE). Após três anos à frente da pasta, ele deixa o cargo em meio a uma série de debates sobre os rumos e desafios enfrentados pela educação no estado. A nomeação de Rossieli Soares, cuja posse está prevista para a próxima semana, inaugura uma nova fase marcada pela sombra de crises e polêmicas em Estados por onde passou.Professor de carreira e ex-diretor escolar da rede estadual, Igor de Alvarenga foi nomeado secretário em 2022, após atuar como subsecretário de articulação educacional. Sua gestão é elogiada por programas inovadores — como o Passaporte Mineiro do Conhecimento e o Trilhas de Futuro, voltados para o intercâmbio de estudantes e formação profissional.

No entanto, sua passagem pela SEE não foi livre de problemas. Internamente, a secretaria enfrentou clima de insatisfação por parte do vice-governador Mateus Simões (Novo) e críticas de sindicatos e lideranças que destacavam um relacionamento “bélico” com servidores e falta de diálogo com entidades representativas. Outro foco de tensão foi o projeto de ampliação das escolas cívico-militares, que provocou forte mobilização de setores opositores, levando o governo a recuar na expansão do modelo após protestos e assembleias escolares maciçamente contrárias.

No lugar de Igor, o governo mineiro escolheu Rossieli Soares, ex-ministro da Educação no governo Michel Temer e ex-secretário de Educação dos estados do Amazonas, São Paulo e Pará. A extensa trajetória, porém, vem acompanhada de controvérsias. No Amazonas, Rossieli foi condenado pelo Tribunal de Contas a devolver R$2,2 milhões aos cofres públicos por pagamento de obras em escolas que não teriam sido executadas — ele recorre da decisão até hoje. Já à frente da Secretaria do Pará, enfrentou grave crise em 2024, ao sancionar legislação substituindo ensino presencial por aulas a distância para indígenas, quilombolas e áreas rurais. A medida gerou ocupação da sede da secretaria por quase um mês, greve e acusações de desrespeito a direitos dessas populações. Também houve denúncias sobre supostas irregularidades em contratos de fornecimento de internet e kits escolares.

Outro episódio marcante envolveu a retomada das aulas presenciais durante o pico da pandemia de covid-19, quando foi secretário de Educação em SP. A decisão rendeu críticas públicas e ações judiciais contra Rossieli, acusado por adversários políticos de colocar em risco a vida de alunos e professores.

A troca no comando da SEE ocorre em meio a pressões políticas e busca por novos resultados a menos de um ano das eleições de 2026. Igor de Alvarenga, apesar de deixar o posto, seguirá colaborando com o governo em outras funções. Resta saber como Rossieli irá dialogar com as demandas e realidades específicas do sistema educacional mineiro.

O novo secretário terá como principal missão manter os avanços recentes, pacificar o ambiente interno e responder aos anseios de uma rede escolar marcada por reivindicações, desafios estruturais e políticas cada vez mais contestadas.

O Metropolitano

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