Alexandre de Moraes não se abala e manda desmontar acampamento de bolsonaristas

Nem com sanção dos EUA ministro recua, não seria o acampamento patético dos aliados do condenado inelegível que faria diferença

Reprodução Redes Sociais
Luciano Meira

Quem passou pela Praça dos Três Poderes e achou que estava acontecendo um encontro de escoteiros, errou: eram deputados federais bolsonaristas, em barracas e com fita adesiva na boca, em “vigília de resistência” na porta do Supremo Tribunal Federal (STF). Motivo? Proteger o condenado e inelegível Jair Bolsonaro das garras da justiça, pressionando o magistrado Alexandre de Moraes e mais uma vez entoando a ladainha da anistia para os golpistas e outros criminosos do 08 de janeiro. Os parlamentares garantiram o constrangimento nacional: nada de debates ou argumentos — só mutirão do camping que os transformou nos campeões nacionais da vergonha alheia.

O Ministro Alexandre de Moraes, mostrando que bravura é pouco diante do humor involuntário dos deputados, mandou a Polícia Federal e até o governador do Distrito Federal retirarem imediatamente os parlamentares acampados. Quem não obedecesse? Prisão em flagrante — e olhe que não era desafio de reality show, era ordem judicial mesmo. Citados nominalmente na oredem do Ministro estavam Hélio Lopes (PL-RJ), Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), Cabo Gilberto Silva (PL-PB), Coronel Chrisóstomo (PL-RO) e Rodrigo da Zaeli (PL-MT), dinossauros do bolsonarismo que tentaram criar ambiente de comoção, mas logo enrolaram as barracas e deixaram o local sem glória nem likes.O fiasco parlamentar se revelou ainda mais risível se lembrarmos que os Estados Unidos já tinham jogado pesado: o governo Trump não só revogou o visto de Moraes e seus familiares, como anunciou sanções e acusou o ministro de “caça às bruxas”. O próprio presidente Trump esperneou contra a Justiça brasileira, ameaçando tarifas. E o que fez Alexandre de Moraes? Manteve, sem pestanejar, todas as restrições a Bolsonaro e mais: aproveitou para dar aula de soberania nacional, dizendo que nenhum chefe de Estado estrangeiro — nem mesmo o comandante das sanções — interferiria nos processos do Judiciário brasileiro.

Ou seja: se nem a pressão do governo dos EUA, com direito a diplomacia de sanção e ameaça, conseguiu intimidar Moraes, quem realmente achou que um punhado de deputados pró-golpistas, acampados debaixo de lona e fazendo live para convertidos, iria causar algum abalo?

A cada tentativa desajeitada de transformar resistência em piada de mau gosto, os parlamentares reforçam a principal lição da semana: a Justiça, para quem não respeita, não é campo de acampamento, é campo de lei — e, convenhamos, se nem uma superpotência conseguiram dobrar Moraes, meia dúzia de deputados acampados só serviram para inspirar memes, e aprender que parlamentar que vira hippie de luxo para salvar político inelegível acaba, no máximo, levando bronca em decisão judicial e virando assunto nas rodas de piada país afora.

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