Professora assassinada pelo filho em BH: crime choca comunidade e revela drama de dívidas e relação conturbada

Investigação aponta que Soraya Tatiana, professora de história em Belo Horizonte, foi morta por estrangulamento após discussão sobre dívidas do filho, que confessou o crime

A professora Soraya Tatiana Bonfim França e o filho Matteos França Campos
Luciano Meira

A comunidade escolar de Belo Horizonte permanece em choque após a trágica morte da professora Soraya Tatiana Bonfim França, de 56 anos, assassinada pelo próprio filho, Matteos França Campos, de 32 anos. O crime ocorreu na sexta-feira (18/7), depois de uma discussão entre mãe e filho motivada pelo acúmulo de dívidas dele com apostas online e empréstimos bancários. Soraya dava aulas de História em um renomado colégio da cidade e era conhecida por sua dedicação.

O que se sabe até agora: dinâmica do crime e investigação

Soraya foi dada como desaparecida após o filho alegar não conseguir contato com ela. Matteos, inicialmente, procurou a polícia, registrou boletim de ocorrência e solicitou ajuda de familiares e vizinhos – tudo como se também fosse vítima do sumiço da mãe. A professora foi encontrada morta no domingo (20), debaixo de um viaduto em Vespasiano, cidade da região metropolitana de Belo Horizonte. O corpo estava coberto por um lençol, seminu e com sinais de violência sexual simulada — detalhes informados pelo próprio suspeito na confissão à polícia, que apontou tentativa de despistar as investigações.Segundo relatos da investigação, Matteos confessou ter estrangulado Soraya durante uma discussão acalorada no apartamento onde viviam, no bairro Santa Amélia. Logo após o crime, ele colocou o corpo da mãe no porta-malas do carro, dirigiu até Vespasiano e abandonou o cadáver sob o viaduto. Imediatamente depois, viajou para a Serra do Cipó com amigos, como estava previamente planejado. O suspeito não contou a ninguém sobre o crime até ser preso na casa do pai, em Belo Horizonte, uma semana depois. Em depoimento, Matteos relatou que agiu sozinho, estava em surto e profundamente endividado, provocado principalmente por apostas esportivas virtuais e empréstimos.

A sequência de ações do filho após o crime impactou ainda mais familiares, amigos e a polícia. Matteos não só acompanhou todo o processo de busca e investigação como também compareceu ao velório de Soraya, chorando e carregando o caixão durante a cerimônia. Fez também postagens de homenagem à mãe nas redes sociais, mantendo o papel de filho consternado até a prisão e confissão oficial desta sexta-feira (25).

Soraya era reconhecida como professora dedicada, querida na escola e na vizinhança. A relação dela com o filho se desgastou nos últimos meses por conta do descontrole financeiro dele. Segundo investigadores, Soraya já demonstrava preocupação com o rumo da vida de Matteos e a discussão fatal teria sido mais uma tentativa dela de cobrar responsabilidade sobre as dívidas acumuladas.

Com a prisão de Matteos, além da conclusão de laudos periciais, resta à polícia detalhar todas as circunstâncias e motivações do feminicídio. O caso desperta debates sobre relações familiares, saúde mental, impacto das apostas virtuais e o sofrimento silencioso de quem convive com a dependência financeira e emocional de familiares.

O Metropolitano

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