Vilões

Camilo Lelis

O dicionário nos fala de seres indignos, abjetos e desprezíveis. Vilões praticam maldades, vivem em pleno exercício do mal. Sentem prazer com o sofrimento alheio. Na literatura, acompanhamos esses personagens que representam o lado ruim — seja em contos, romances, crônicas…

Também estão presentes nas peças teatrais, filmes ou novelas: seres vis praticando vilanias. O contraponto talvez sejam os “mocinhos” — pessoas que, por algum motivo, vivem a praticar o bem. Estão do lado da justiça, da verdade, do bem comum.

A vida imita a arte ou é a arte que imita a vida? Na ficção ou na realidade, a existência na Terra nos revela esse código de conduta em que os dois extremos coabitam o planeta: o bem e o mal. Além desses dois adjetivos, viver é se confrontar com outros tantos paradoxos existenciais, como vida e morte.

Assuntos complexos, pois causas e consequências serão sempre relativizadas. Então, em que momento eu, você, nos tornamos vilões na história? Ou mocinhos? Sou completamente do mal ou todo do bem? É possível afirmar e se denominar assim ou assado?

Que eu saiba, o IBGE não faz essa pergunta; portanto, não temos dados estatísticos. Não dá para precisar o contingente de pessoas boas ou más que habitam a Terra. Sabemos que elas pipocam pelo mundo, exercitando suas índoles.

O bem é aceitável; os “mocinhos” dos contos nos inspiram. Mas há quem se identifique com os vilões. Que traumas, que ausências, que código genético ou mesmo espiritual forjam esse ser perverso? Capaz de atitudes sórdidas e conspirações que ameaçam a vida na Terra — a vida da Terra.

Genocídios, traições, sessenta socos. Tem cura? Tem reparação? O planeta devastado entrou no cheque especial, sabia? O exercício da maldade, associado a um misto de burrice, ignorância e ganância — terras raras — impõe ao planeta um cronômetro que aponta o fim: a escassez.

Enquanto isso, representantes de nações, mandantes e seus comandados fazem algazarra no recreio e persistem em permanecer na “quinta série”. Chega a ser ridículo o estágio de “Babel” que enfrentamos dia após dia. Haja saúde mental para tanto. Sem paz, não há felicidade.

Nos resta abraçar uma árvore, adotar um Caramelo, cultivar uma flor e enfrentar os inimigos. Inimigos esses visivelmente do “colarinho branco”: Rolex, roupas de grife e joias das Arábias.

Atentem-se.

O Metropolitano

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