Zema prega tanta transparência que segue quase invisível nas pesquisas eleitorais

Governador usa evento oficial como palanque contra antecessor, enquanto levantamento da Quaest expõe irrelevância no cenário nacional

Governador Romeu Zema (Novo) – Reprodução Redes Sociais
Luciano Meira

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), esteve em Montes Claros, no norte do estado, nesta quinta-feira (21), para uma agenda que deveria ter caráter administrativo, a inauguração de um contorno viário, mas que rapidamente assumiu contornos de palanque eleitoral. Em discursos inflamados, Zema voltou a acusar seu antecessor de entregar Minas “em frangalhos” e destacou como marcas de sua gestão a responsabilidade fiscal e a transparência. A ironia, no entanto, saltou aos olhos: no mesmo dia, pesquisa do Instituto Quaest mostrou mais uma vez que sua candidatura presidencial segue tão transparente que praticamente desaparece nas intenções de voto.

De acordo com o levantamento, Zema não alcançou a faixa dos principais nomes da disputa nacional e permanece preso a índices de um dígito — margens que dificilmente sustentam uma candidatura competitiva. Enquanto adversários consolidados orbitam entre 20% e 30%, o governador aparece em terreno reduzido, beirando a irrelevância estatística, sempre ocupando as últimas posições, abaixo de votos brancos e nulos. Nos três cenários em que o nome de Zema aparece seu desempenho varia entre 2 e 5% – confira a pesquisa aqui – A discrepância entre a grandiloquência dos discursos – recheado de gerundismo, como seu já surrado “vou estar entregando” – e a pequenez de seus números autorizam classificar a pré-campanha de Zema como um palanque ruidoso, mas com eco limitado.

No interior, a plateia ouviu sem grandes manifestações de entusiasmo as críticas ao passado. O governador insistiu em se apresentar como gestor austero que “arrumou a casa”, mas fora das fronteiras mineiras, o retrato que prevalece é o de um político que insiste em vestir a faixa de presidenciável sem encontrar público disposto a lhe dar palco.

Seus aliados apostam em tempo e exposição, que o partido de Zema não tem, para reverter os índices. Mas, até aqui, o que as pesquisas vêm mostrando é outra realidade incômoda: Zema tem transformado o governo em campanha, multiplicado viagens, trocado ataques com adversários e, mesmo assim, continua a colher apenas estatísticas residuais. No fim, o contraste é cruel: enquanto ele se apresenta como alternativa nacional, os números lembram que sua candidatura ainda cabe inteira numa nota de rodapé — e sem garantia de que alguém vá, de fato, ler até lá embaixo.

O Metropolitano

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