Deputada denuncia irregularidades na transferência de pacientes e fechamento da UTI Pediátrica do Hospital João Paulo II em BH
Mudança para o Hospital João XXIII e suspensão de leitos gera preocupação sobre atendimento infantil; Assembleia fará vistoria

Luciano Meira
A decisão de fechar temporariamente a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Pediátrica do Hospital Infantil João Paulo II e transferir pacientes para o Hospital João XXIII, em Belo Horizonte, provoca reação entre servidores, entidades de saúde e parlamentares. A deputada estadual Beatriz Cerqueira (PT-MG) enviou representações ao Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG) exigindo apuração de possíveis irregularidades no processo e medidas para garantir o funcionamento pleno do hospital.
Segundo nota da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), a transferência, iniciada nesta sexta-feira (22), é motivada por reformas e instalação de novo sistema eletrônico de gestão hospitalar — o Tasy —, que exigem adequações estruturais e elétricas no prédio. Estima-se que as obras durem cerca de 60 dias. Foram transferidos 16 leitos com pacientes e equipes para a UTI pediátrica do João XXIII, unidade referência em urgência e emergência no Estado.Profissionais do Hospital João Paulo II contestam a execução e a comunicação do processo, alegando que tanto servidores quanto familiares foram surpreendidos sem aviso prévio oficial, com impacto imediato no fluxo de atendimento de urgência infantil. Técnicos de enfermagem revelam dificuldades logísticas no transporte de crianças graves, alertando para riscos à vida e sobrecarga de serviços no João XXIII, cuja estrutura já opera próxima ao limite. Conselheiros locais citam receio de fechamento definitivo da unidade, ampliando incertezas sobre o futuro da pediatria hospitalar na cidade.
A Fhemig defende que as medidas são temporárias e garantem estrutura suficiente para receber os pacientes sem prejuízo assistencial. Relata que o pronto-atendimento do João Paulo II segue funcionando normalmente e nega intenção de desmonte ou encerramento do serviço.
Diante das críticas e suspeitas, a Comissão de Administração Pública da Assembleia Legislativa realizará visita técnica ao hospital no próximo dia 29, às 10h, para fiscalizar as condições do atendimento e acompanhar as obras. Vistoria semelhante foi solicitada por vereadores na intenção de produzir relatórios ao Executivo e propor recomendações para assegurar a retomada plena dos serviços pediátricos após as reformas.
Representantes do sindicato dos trabalhadores manifestam preocupação com a falta de transparência e cobram mais diálogo no processo. A população local denuncia receio de perder equipamento público essencial, fundamental para casos de emergência infantil, e pede acompanhamento rigoroso das autoridades competentes até que a situação seja normalizada.