Ratos e barcos: sinais de naufrágio fazem Zema afastar-se de Bolsonaro e Simões em rede nacional

Governador de Minas sinaliza rompimento com Bolsonaro e larga vice para chapa adversária

Mateus Simões (Novo), Romeu Zema (Novo), Jair Bolsonaro (PL).
Luciano Meira

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), caminha a passos largos para mudar os rumos da nau de sua candidatura presidencial, em meio a índices minguados nas pesquisas, sinais cada vez mais claros de isolamento político e há menos de uma semana do julgamento que pode encarcerar Bolsonaro por um longo período, em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, Zema tratou de afastar-se da figura de Jair Bolsonaro — “defendo a família, sou cristão, mas nunca caminhei com ele” — e autorizou publicamente o vice, Mateus Simões, a procurar abrigo em novos portos partidários, notadamente o PSD, comandado em Minas por Rodrigo Pacheco e que conta ainda com o ministro Alexandre Silveira, ambos apoiados pelo presidente Lula.

Zema tenta novo rumo na crise

Em clima de barco fazendo água, Zema tenta a todo custo se descolar da rejeição que ronda o ex-presidente Jair Bolsonaro, inelegível, mas ainda central no universo da direita nacional. Acumulando resultados mornos e a pecha de “candidatura natimorta”, o governador mineiro age com cautela para não naufragar junto. Nos bastidores, a leitura é de que o Novo, partido de Zema, já parece admitir a inviabilidade eleitoral, dando ares de balão de ensaio para a candidatura do mineiro, testando alternativas sem compromisso para o pleito de 2026.Vice como moeda — ou cavalo de troia?

No centro do tabuleiro, o vice-governador Mateus Simões vira peça valiosa — ou problema à vista. Instado a trocar o Novo pelo PSD numa manobra que serviria para manter influência no palanque mineiro mesmo sem candidatura competitiva própria, Simões dependeria da luz verde de Rodrigo Pacheco, favorito do partido à sucessão estadual, e de Alexandre Silveira, atual ministro das Minas e Energia e aliado do governo federal. Para analistas, resta a dúvida: Zema estaria entregando o vice para o adversário ou operando para infiltrar um fiel escudeiro como Cavalo de Troia em chapa rival, tentando salvar algum espaço na arca política mineira?

Alianças e falta de rumo

Com Pacheco e Silveira solidamente apoiados por Lula, e o PSD cada vez mais fechado ao entorno do Planalto, a operação Simões parece jogar pá de cal nas pretensões estaduais — e até nacionais — do governador de Minas. Caso o vice mude mesmo de lado, caberia a Zema assistir, do convés prestes a submergir, seu antigo parceiro embarcar na nau da adversidade, restando-lhe apenas o papel de coadjuvante no cenário mineiro. Assim, como diz o antigo ditado, quando o barco afunda, os ratos são os primeiros a sair — e ao que parece, nesta nau, a debandada já começou.

O Metropolitano

Jornalismo profissional e de qualidade. Seu portal de notícias da Região Metropolitana de Belo Horizonte, de Minas Gerais, do Brasil e do Mundo.
Botão Voltar ao topo