Hospital João XXIII adota técnica inovadora e salva jovem com 85% do corpo queimado
Microenxerto Meek eleva esperança e redefine tratamento de grandes queimados em Minas Gerais

Luciano Meira
O Hospital João XXIII, em Belo Horizonte, tornou-se referência nacional ao padronizar o uso da técnica inovadora de microenxerto modificada — conhecida como Meek — no tratamento de pacientes com grandes queimaduras. A metodologia, que permite expandir até nove vezes a área de cobertura da pele saudável do paciente, foi fundamental para salvar a vida de um jovem que chegou à unidade com 85% do corpo queimado, após grave acidente doméstico com álcool. A adoção do Meek marca uma mudança de paradigma na assistência hospitalar, ampliando perspectivas de sobrevivência onde antes não havia chances.
Entenda a técnica pioneira
O microenxerto Meek consiste em cortar a pele do paciente em pequenos fragmentos, que são implantados sobre as áreas queimadas e fixados em curativos expansíveis, funcionando como uma “sanfona”. Essa tecnologia cria múltiplas ilhas de pele, incentivando o crescimento de novas células e facilitando a cicatrização. A técnica, agora padronizada no Hospital João XXIII e pioneira no Brasil, permite o uso eficaz de áreas doadoras restritas, tornando viável o tratamento de pacientes com queimaduras superiores a 20% do corpo.
Resultados clínicos e impacto social
De acordo com o Centro de Tratamento de Queimados Professor Ivo Pitanguy, responsável pela padronização, o método já beneficiou outros pacientes e reduziu de 50% para 16% a mortalidade em grandes queimados. O hospital registra maior rotatividade de leitos, queda nas taxas de infecção e oferece melhor qualidade de vida no pós-operatório. Nos últimos dois anos, apenas o ambulatório de queimados realizou mais de 3 mil atendimentos, num cenário nacional em que cerca de 40% das internações se originam de acidentes com álcool.
O jovem atendido, que passou 28 dias internado, incluindo período em coma, atribui à técnica e ao cuidado humanizado da equipe a possibilidade de recomeçar. Para especialistas, o avanço representa novo horizonte para hospitais públicos e transforma Minas Gerais em polo de inovação no tratamento de queimaduras extensas.
Futuro e disseminação
A expectativa é que o Meek, já utilizado em centros internacionais, seja progressivamente disseminado em todo o país e contribua para protocolos menos invasivos e mais eficazes no tratamento de grandes queimaduras. Equipes de outros hospitais de Minas já têm recebido treinamento para adoção do método, ampliando a rede pública de assistência de excelência.
O Hospital João XXIII reafirma, com a inovação e investimento continuado em tecnologia e capacitação, seu papel de liderança na oferta de tratamentos humanizados e eficazes para os pacientes mais graves do país.
