Desemprego no Brasil atinge menor nível da série histórica e traz esperança em cenário econômico desafiador

Taxa de 5,6% no terceiro trimestre de 2025 reflete recuperação do mercado de trabalho e estabilidade econômica

Arte RMC
Luciano Meira

O Brasil registrou uma taxa de desemprego de 5,6% no trimestre móvel encerrado em setembro de 2025, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esse percentual representa o menor índice da série histórica iniciada em 2012, repetindo o patamar alcançado nos dois trimestres anteriores e confirmando uma tendência de melhoria contínua no mercado de trabalho nacional. Com 6,045 milhões de pessoas desempregadas, o número atingiu o menor patamar já registrado, impulsionado especialmente pelo crescimento de empregos com carteira assinada.O cenário econômico brasileiro enfrenta desafios como inflação ainda acima do centro da meta e juros elevados para conter pressões inflacionárias, que impactam o consumo e os investimentos. Mesmo assim, o mercado de trabalho tem mostrado sinais robustos de recuperação. A expansão da ocupação tem sido puxada sobretudo pelos setores de serviços, administração pública, saúde, educação, agropecuária e indústria, que vêm registrando aumento significativo no número de empregados formalizados.

O Brasil contabiliza um total de 102,4 milhões de pessoas ocupadas, número que se mantém estável no trimestre, porém em nível recorde. O nível de ocupação, que é a proporção de pessoas com trabalho em relação à população em idade de trabalhar, alcançou 58,7%, refletindo maior inclusão da força de trabalho na economia formal.

Indústria e serviços puxam crescimento da formalização

O destaque para a queda do desemprego está na ampliação dos postos de trabalho com carteira assinada, que atingiram 39,2 milhões de trabalhadores, também recorde histórico. Essa recuperação formaliza empregos, assegurando direitos trabalhistas e maior estabilidade econômica para as famílias, frente a um ambiente muitas vezes marcado pela informalidade e precariedade no mercado.

Setores como administração pública, saúde e educação contrataram 522 mil pessoas; serviços de informação, comunicação e finanças, 260 mil; e agropecuária, 206 mil apenas no último trimestre. Comparativamente ao mesmo período de 2024, a indústria empregou 580 mil pessoas a mais, enquanto comércio e transporte também apresentaram aumentos importantes no contingente de pessoas ocupadas.

Perspectivas e desafios para a economia

Especialistas avaliam que a contínua redução do desemprego é um indicador positivo para a atividade econômica, pois aumenta o poder de compra da população, gerando ciclos virtuosos de consumo e investimento. Contudo, o país enfrenta desafios estruturais que ainda limitam uma expansão mais acelerada, como a necessidade de reformas econômicas para melhorar a produtividade, além de investimentos em inovação e infraestrutura.

Segundo o analista William Kratochwill, do IBGE, “os números sustentam o bom momento do mercado, com crescimento da ocupação e redução da subutilização da mão de obra, evidenciando um ciclo de recuperação robusto apesar das adversidades macroeconômicas”.

O desafio para o governo e a iniciativa privada é manter a estabilidade econômica, fomentar setores estratégicos e garantir políticas públicas que promovam a inclusão e a geração de empregos de qualidade, fundamentais para consolidar a retomada e impulsionar o desenvolvimento social e econômico do país.

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