Bandido de estimação: Romeu Zema, um anão eleitoral para 2026, critica prisão de Bolsonaro

Governador adota discurso de contestação da Justiça, ignorando evidências robustas e processo legítimo, numa estratégia para ganhar espaço na corrida presidencial de 2026

Romeu Zema (Novo) – Foto: Reprodução Redes Sociais
Luciano Meira

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), manifestou-se contra a prisão preventiva decretada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para o ex-presidente Jair Bolsonaro, sob o argumento de que a medida seria arbitrária, um abuso de poder e uma injustiça que afastou Bolsonaro do convívio familiar de forma vergonhosa para o país. As declarações foram feitas nas redes sociais poucas horas após a detenção do ex-presidente, condenado a 27 anos e três meses por tentativa de golpe de Estado e outros crimes graves.​

Desrespeito a uma decisão judicial com base em fartas provas

A crítica do governador ignora o processo conduzido no STF, que seguiu rigorosamente os trâmites legais, com ampla instrução e fundamentação, embasada em muitas provas materiais e testemunhais sobre a articulação golpista liderada por Bolsonaro. O juiz Alexandre de Moraes, responsável pela decisão de prisão, agiu dentro das competências da corte máxima, respaldado pela segurança jurídica e constitucional.​
Ao se colocar abertamente contra essa decisão, Zema se posiciona contra o Estado Democrático de Direito e contra a independência dos poderes, desconsiderando que o processo judicial é fruto de um julgamento histórico e único, que levou o ex-presidente à condição de réu e condenado por atentados à democracia.​

Estratégia política de polêmica para tentar sair da condição eleitoral irrelevante

Especialistas políticos avaliam que a iniciativa de Romeu Zema não é apenas uma manifestação em defesa de Bolsonaro, mas uma jogada calculada para atrair holofotes e se afastar da imagem de candidato anão nas pesquisas para presidente em 2026. Desde o lançamento oficial de sua pré-candidatura ao Planalto, Zema tem buscado associar seu nome a temas controversos e políticos polarizados a fim de ampliar sua base eleitoral, embora ainda com resultados modestos nas intenções de voto.​
Ao abraçar a pauta da contestação da prisão de Bolsonaro, ele se insere em um contexto de radicalização e conflito político, abrindo mão de uma postura institucional e responsável de respeito às decisões judiciais, que são essenciais para a estabilidade democrática.​

A incongruência entre discurso e fato jurídico

Enquanto a acusação contra Bolsonaro, confirmada pela condenação, é construída a partir de provas documentais, perícias, depoimentos e análises técnicas, o discurso de Zema se limita a uma narrativa simplista de “injustiça” e “perseguição política”, sem apresentar elementos que contestem o mérito do julgamento. Ao afirmar que “silenciar opositor não é justiça”, o governador faz uso de retórica típica de quem não aceita as regras democráticas e o papel do Judiciário.​

Além disso, o governador mineiro ignorou o contexto do pedido de prisão preventiva, que se baseia também no risco de fuga de Bolsonaro, no descumprimento de medidas cautelares e na convocação de manifestações que poderiam afetar a ordem pública, pontos destacados pelo ministro Alexandre de Moraes em sua decisão judicial.​

O posicionamento político que pode ampliar a polarização do país

A manifestação de Romeu Zema contra a prisão preventiva de Jair Bolsonaro reforça a polarização política que marca os últimos anos no Brasil, com líderes tentando capitalizar situações de conflito judicial e político para ganhar visibilidade. A crítica pública a uma medida judicial fundamentada em um processo sólido pode contribuir para a deslegitimação das instituições e para o aumento da tensão social, cenário que especialistas alertam ser prejudicial para a democracia brasileira.​

Assim, a atitude de Zema pode ser vista, criticamente, como oportunismo político, ao mesmo tempo que demonstra um desprezo pela importância da legalidade e do respeito às decisões da mais alta corte do país, elementos fundamentais para o funcionamento democrático e o enfrentamento da crise institucional gerada pela tentativa de golpe de Estado.

O Metropolitano

Jornalismo profissional e de qualidade. Seu portal de notícias da Região Metropolitana de Belo Horizonte, de Minas Gerais, do Brasil e do Mundo. Proibida a reprodução total ou parcial, sem autorização previa do O Metropolitano. Lei nº 9610/98
Botão Voltar ao topo