Vídeo: STF divulga vídeo que mostra tentativa de Bolsonaro de violar tornozeleira eletrônica

Ex-presidente admitiu utilizar ferro de solda; vídeo contradiz versões de advogados e aliados

Tornozeleira eletrônica danificada por Jair Bolsonaro – Foto: Divulgação STF
Luciano Meira

Em mais um capítulo dos desdobramentos judiciais contra Jair Bolsonaro, o Supremo Tribunal Federal divulgou o vídeo que mostra o ex-presidente admitindo ter tentado violar sua tornozeleira eletrônica com um ferro de solda, descartando as narrativas apresentadas por advogados e aliados. O material divulgado pelo STF foi decisivo para a decretação da prisão preventiva de Bolsonaro, que está condenado a pena de 27 anos e três meses por participação em trama golpista.​

O episódio e o contexto do uso da tornozeleira

Bolsonaro passou a utilizar tornozeleira eletrônica após ser condenado pela Justiça devido ao envolvimento em atos antidemocráticos e golpistas que colocaram em risco a estabilidade institucional do país. O equipamento, utilizado para monitorar réus soltos fora do regime fechado, foi imposto como medida cautelar para restringir sua circulação e prevenir o risco de fuga, considerado real diante do histórico recente de mobilização de apoiadores e tentativas de obstrução judicial.​A tentativa de violação e a reação do STF

O vídeo divulgado mostra Bolsonaro admitindo à policial responsável pelo monitoramento que usou um ferro quente na tornozeleira. “Eu meti ferro quente aí. Curiosidade”, afirma, no registro. As imagens evidenciam marcas de queimadura e avaria no aparelho, corroborando o laudo técnico que aponta tentativa de rompimento. O alarme da tornozeleira disparou à 0h07, e a equipe de segurança fez a troca do equipamento logo em seguida.​

Defesa e aliados ficam sem versão; STF enfatiza risco de fuga

Aliados e advogados de Bolsonaro chegaram a argumentar que o dano na tornozeleira se deu por impacto do equipamento com uma escada, narrativa abandonada após a divulgação do vídeo em que o próprio Bolsonaro admite a tentativa deliberada de violação. O ministro Alexandre de Moraes fundamentou a prisão preventiva destacando que o fato representa “gravíssimos indícios de eventual tentativa de fuga”, reforçada pela convocação de vigília em frente ao condomínio do ex-presidente, e pelo tumulto gerado por apoiadores.​

A gravidade da violação e os efeitos jurídicos

Tentar violar uma tornozeleira eletrônica é uma infração grave, considerada indicativo de intenção de fugir do cumprimento da pena ou de empreender nova tentativa de obstrução da Justiça. Com a divulgação do vídeo e o testemunho de Bolsonaro, caem por terra justificativas apresentadas em sua defesa: não há margem para dúvida sobre o intento do réu de sabotar o monitoramento judicial, comportamento incompatível com o respeito à ordem jurídica e digno, segundo especialistas, de reação dura e crítica por parte do Poder Judiciário.

Assista ao vídeo:

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