Banda Nossa Senhora das Dores de Itaguara simboliza novo status das bandas de música como patrimônio em Minas

Minas Gerais reconhece bandas de música como patrimônio cultural imaterial do estado

Foto: Reprodução Facebook da banda
Luciano Meira

Minas Gerais deu um passo importante para a valorização e preservação de suas tradicionais bandas de música ao oficializar o registro das Bandas de Música como Patrimônio Cultural Imaterial do Estado. Esse reconhecimento consolida a importância histórica e cultural das bandas que atravessam gerações, unindo comunidades e mantendo viva uma rica tradição musical transmitida de forma oral, comunitária e solidária.

Foto: Reprodução Facebook da banda

As bandas de música têm papel histórico em Minas, presentes desde o século 19, e são elementos vitais na construção da identidade das cidades e bairros. Em Belo Horizonte, por exemplo, há bandas centenárias ainda em atividade, como a Sociedade Musical Carlos Gomes, fundada em 1896, que reúne músicos ativos que participam de eventos culturais, religiosos e festivos. Esse movimento tem um forte esforço de inventário e documentação para proteger saberes, práticas e sua continuidade, apoiado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha) e órgãos municipais

Foto: Reprodução Facebook da banda

O recente reconhecimento das bandas de música de Minas Gerais como Patrimônio Cultural Imaterial do Estado ganha rosto e som em Itaguara, na região Centro-Oeste, onde a Banda Nossa Senhora das Dores, com mais de 130 anos de história, fundada em 13 de setembro de 1887, simboliza a força dessa tradição. Composta por músicos de diferentes gerações e presença constante em festas religiosas, cívicas e encontros regionais, a corporação itaguarense ajuda a explicar por que o estado decidiu elevar as bandas ao status de bem protegido, reforçando seu papel como guardiãs da memória e da sociabilidade em centenas de municípios mineiros.​

Foto: Reprodução Facebook da banda

A trajetória da banda itaguarense também ajuda a evidenciar desafios que o reconhecimento como patrimônio busca enfrentar, como a necessidade de apoio financeiro, manutenção de instrumentos, formação de novos músicos e garantia de espaços adequados para apresentações e ensaios. Em Itaguara, encontros de bandas, homenagens oficiais e ações de valorização cultural apontam para uma tentativa de consolidar políticas públicas permanentes, aproximando poder público, artistas e população na defesa desse legado.​

Foto: Reprodução Facebook da banda

Ao destacar as bandas de música como patrimônio imaterial, Minas Gerais incorpora ao guarda-chuva da proteção cultural uma das expressões mais presentes na vida cotidiana das cidades, sobretudo nas pequenas e médias, onde muitas vezes a banda é o principal – e às vezes único – equipamento cultural ativo. No caso da Banda Nossa Senhora das Dores de Itaguara, a nova classificação dá lastro simbólico e político a uma história que já era reconhecida localmente como motivo de orgulho, reforçando a ideia de que preservar essas corporações é preservar a memória afetiva e musical de Minas.

Foto: Reprodução Facebook da banda

Esse reconhecimento oficial das bandas como patrimônio imaterial garante que esse saber coletivo ganhe visibilidade, proteção e mecanismos para sua salvaguarda, afirmando o papel das bandas como expressões culturais essenciais para o patrimônio afetivo e histórico das cidades mineiras.

Assim, Minas Gerais preserva não apenas a música, mas as histórias e identidades de seus povos, reafirmando a importância das bandas como parte da alma do estado, cultura que deve ser respeitada e transmitida para as futuras gerações.

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