Chefe da organização criminosa meteu um “foi mal, tava doidão” que não colou
Bolsonaro alega "paranoia" induzida por remédios para justificar tentativa de violar tornozeleira eletrônica

Luciano Meira
A prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), chefe da Organização Criminosa que tentou um golpe de Estado, decretada no sábado (22) pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, foi mantida neste domingo (23) por uma juíza auxiliar da Corte, após audiência de custódia. O condenado permanece preso na Superintendência da Polícia Federal (PF), em Brasília.
Alegação de “paranoia” e interação medicamentosa
Durante a audiência de custódia, procedimento obrigatório para todos os presos no prazo de 24 horas, o ex-presidente confirmou ter mexido na tornozeleira eletrônica. Bolsonaro alegou que a tentativa de violar o equipamento foi motivada por uma “certa paranoia” e “alucinação”, citando a interação inadequada de medicamentos psiquiátricos.
Os medicamentos apontados pelo ex-presidente são o anticonvulsivante Pregabalina e o antidepressivo Sertralina. Segundo Bolsonaro, ele sofre com “sono picado” e não dorme direito. O ex-presidente afirmou ter utilizado um ferro de soldar para tentar abrir a tornozeleira eletrônica, mas alegou ter parado “ao voltar à razão”.
A defesa do ex-presidente solicitou a prisão domiciliar humanitária, argumentando que a interação medicamentosa teria causado “confusão mental”. A equipe médica que o atende suspendeu o uso da Pregabalina imediatamente após o episódio.
Motivação da prisão e próximos passos
A prisão preventiva, decretada na madrugada de sábado (22), ocorreu após o ministro Alexandre de Moraes considerar que houve uma violação das regras de monitoramento da tornozeleira eletrônica e um “elevado risco de fuga”. A tentativa de violar a tornozeleira eletrônica havia gerado um alerta para a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária do Distrito Federal (Seap).
O ex-presidente estava em regime domiciliar desde 4 de agosto, após ser condenado pela Primeira Turma do STF a 27 anos e três meses de prisão em regime fechado por liderar a trama golpista.
