UFLA abre inscrições para vagas exclusivas a pessoas trans em 2026
Universidade Federal de Lavras pioneira em Minas Gerais inicia processo seletivo com vagas supranumerárias nos cursos de graduação

Luciano Meira
A Universidade Federal de Lavras (UFLA), em Minas Gerais, abre nesta segunda-feira (1º/12) as inscrições para o Processo Seletivo de Ingresso de Pessoas Trans – travestis, transexuais e transgêneros – nos cursos de graduação presenciais, com entrada no primeiro semestre de 2026. Cada curso participante oferece uma vaga supranumerária, ou seja, adicional às já existentes, nos campi de Lavras e São Sebastião do Paraíso, abrangendo todas as áreas, incluindo Engenharia Elétrica, de Produção e de Software via Bacharelado Interdisciplinar em Inovação, Ciência e Tecnologia (BICT).
A iniciativa, aprovada em 2023 pelo Conselho Superior de Ensino, Pesquisa e Extensão (CEPE) por meio da Resolução Normativa CEPE nº 070/2023, posiciona a UFLA como a primeira universidade federal de Minas Gerais a reservar cotas específicas para esse público. Para participar, os candidatos devem ter concluído o ensino médio em escola pública, realizar o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), inscrever-se no edital próprio e autodeclarar-se como pessoa trans na solicitação de matrícula, via formulário da Diretoria de Registro e Controle Acadêmico (DRCA), com possível validação por entidades como a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra). Selecionados pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu) ou Processo de Avaliação Seriada (PAS) passam por avaliação interna da instituição.
O processo surgiu de uma demanda da Clínica de Direitos Humanos do Departamento de Direito da UFLA, com apoio de entidades como a Aliança Nacional LGBT e parlamentares, inspirado em modelos de outras universidades. Egressa do curso de Direito, Maria Montenegro Ramessés, mulher trans, negra e em vulnerabilidade socioeconômica, destacou a conquista como passo para superar barreiras históricas. A pró-reitora de Assuntos Estudantis e Comunitários, Elisângela Elena Nunes Carvalho, enfatizou o compromisso com equidade, diversidade e inclusão, prevendo operacionalização plena até 2024.
A inclusão de pessoas trans no ensino superior ganha relevância diante de desigualdades persistentes: esse grupo enfrenta taxas elevadas de evasão escolar, desemprego e violência, com apenas 1,9% concluindo o ensino superior, segundo dados da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra). Políticas afirmativas como as da UFLA combatem exclusões estruturais, promovendo acesso a educação de qualidade e mobilidade social, essenciais para a cidadania plena. Em um país onde travestis e transexuais têm expectativa de vida de 35 anos – contra 80 da população geral –, essas vagas representam reparação histórica e avanço na agenda de direitos humanos.
