CPMI do INSS convoca de Zema para explicar atuação de financeira familiar em consignados
Governador de Minas é chamado, mas decisão obriga depoimento em 2026

Luciano Meira
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS aprovou, na quinta-feira (4), a convocação do governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), para prestar esclarecimentos sobre empréstimos consignados oferecidos por empresas ligadas à sua família. A decisão, tomada por votação simbólica na última sessão antes do recesso parlamentar, ocorre no contexto de investigações sobre fraudes em descontos indevidos de aposentados e pensionistas, que teriam causado prejuízos de mais de R$ 6 bilhões, segundo a Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU).
Contexto da CPMI e fraudes no INSS
Instalada para apurar irregularidades em empréstimos consignados, a CPMI foca em descontos não autorizados na folha de pagamento de beneficiários do INSS, facilitados por medidas como a MP 1.106/2022, do governo Jair Bolsonaro, que permitiu consignados no Auxílio Brasil (hoje Bolsa Família). Operações como a Sem Desconto revelaram esquemas envolvendo bancos e financeiras que exploravam vulnerabilidades de idosos e pensionistas.
![]()
A comissão rejeitou convocações de figuras ligadas ao governo federal, como Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha) e o advogado-geral da União, Jorge Messias, além de quebras de sigilo de bancos como Santander e C6. Em contrapartida, aprovou a oitiva de Zema e Daniel Vorcaro, do Banco Master.
Motivo da convocação de Zema
O requerimento, apresentado pelo deputado Rogério Correia (PT-MG), destaca a Zema Crédito, Financiamento e Investimento S.A. (Zema Financeira), empresa do grupo familiar do governador, que oferece consignados digitais com desconto direto no benefício do INSS. Parlamentares querem esclarecimentos sobre a atuação da companhia no período investigado, especialmente após a MP de 2022, e eventuais benefícios obtidos.
Zema enviou ofício à CPMI afirmando que não participa da administração da financeira desde 2018 e que esclarecimentos devem vir da diretoria. Aliados, como a deputada Adriana Ventura (Novo-SP), criticaram a convocação como “deselegância” e “perseguição”, defendendo um convite voluntário, enquanto opositores a veem como garantia de accountability.
Depoimento só em 2026
Como convocação, Zema é obrigado a comparecer, sob pena de sanções, mas as oitivas foram adiadas para o próximo ano legislativo. A bancada do Novo prometeu que o governador demonstrará transparência ao depor. O governo de Minas não se manifestou até o momento.
