MPF e deputada pressionam Copam por retirada de projetos de terras raras

Recomendações urgentes chegam às vésperas da reunião que pode licenciar empreendimentos polêmicos no Sul de Minas

Deputada estadual Beatriz Cerqueira, (PT/MG) – Foto: Luiz Rocha/Mandato da deputada
Luciano Meira

O Ministério Público Federal (MPF) recomendou nesta quinta-feira (18) a retirada imediata dos projetos de mineração de terras raras Caldeira e Colossus da pauta da 131ª reunião da Câmara de Atividades Minerárias (CMI) do Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam), marcada para esta sexta-feira (19), em Belo Horizonte. No mesmo dia, a deputada estadual Beatriz Cerqueira (PT-MG) oficiou os conselheiros pedindo a mesma medida, citando inconsistências técnicas e falta de análise cumulativa dos impactos ambientais no Planalto Vulcânico de Poços de Caldas. Os empreendimentos, da Meteoric Resources e Viridis Mining, são classificados como de alto potencial poluidor e enfrentam resistências por riscos hídricos, radioativos e à proximidade de áreas urbanas.Histórico de adiamentos

Os projetos Caldeira, em Caldas, e Colossus, em Poços de Caldas, preveem a extração de terras raras – minerais usados em tecnologias como baterias e eletrônicos – em uma região geologicamente sensível, com aquífero alcalino que abastece o Sul de Minas e rejeitos radioativos próximos. O MPF argumenta que os processos foram reincluídos na pauta sem respostas de órgãos federais como Ibama, ANSN e INB, consultados após recomendação anterior de 28 de novembro, que já havia levado à retirada temporária. Beatriz Cerqueira reforça no ofício a necessidade de prazo para estudos complementares, apontando vulnerabilidades metodológicas e ausência de avaliação integrada dos efeitos sinérgicos, conforme o artigo 225 da Constituição Federal, que impõe proteção ao meio ambiente equilibrado.

A deputada, que já havia oficiado o Copam em ocasiões anteriores – como em outubro e novembro, resultando em adiamentos –, questiona a fragmentação da análise e cita a Operação Rejeito, da Polícia Federal, que investiga corrupção em licenciamentos minerários envolvendo o conselho. O MPF invoca o princípio da precaução diante de incertezas sobre radionuclídeos como urânio-238 e tório-232, rebaixamento do lençol freático e supressão de nascentes, sugerindo possível competência federal para o licenciamento.

Posição das mineradoras e do governo

A Meteoric Caldeira Mineração, do Projeto Caldeira, afirma que o empreendimento não exige licenciamento federal, pois níveis de radioatividade estão abaixo dos limites legais, com dispensa da CNEN (atual ANSN), e que a Feam emitiu parecer favorável após análises. A Viridis Mining, do Colossus, destaca isenção preliminar de controle radiológico pela CNEN, baseada em 6 mil amostras, e confiança no processo estadual, com condicionantes adicionais incorporadas pela Feam. O governo de Minas não respondeu até o fechamento desta edição.

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