Tanzaniana vence a São Silvestre; brasileira Núbia de Oliveira é 3ª e sobe ao pódio na prova centenária
Sisilia Panga domina elite feminina nas ruas de São Paulo, encerra hegemonia queniana e vê brasileira repetir terceiro lugar pelo segundo ano seguido

Luciano Meira
A 100ª edição da Corrida Internacional de São Silvestre terminou na manhã desta quarta-feira (31) com vitória da tanzaniana Sisilia Ginoka Panga na prova feminina e pódio para o Brasil, graças ao terceiro lugar da baiana Núbia de Oliveira Silva, melhor atleta do país na avenida Paulista. Panga completou os 15 km em pouco mais de 51 minutos, desbancando a favorita queniana Cynthia Chemweno, enquanto Núbia repetiu o resultado de 2024 e confirmou-se como principal nome brasileiro na tradicional corrida de rua.
Resultado da prova feminina
A disputa da elite feminina teve domínio das africanas desde os primeiros quilômetros, com Sisilia Panga e Cynthia Chemweno se revezando na liderança e impondo ritmo forte logo na saída do centro de São Paulo. A decisão veio por volta do 10º km, quando a tanzaniana acelerou, abriu vantagem e cruzou sozinha a linha de chegada na Avenida Paulista, com tempo oficial de 51min09s, seguida pela queniana, segunda colocada, e por Núbia em terceiro.
Destaque para Núbia de Oliveira
Núbia de Oliveira, de 23 anos, manteve-se o tempo todo entre as primeiras colocadas, consolidando-se como a melhor brasileira da prova pelo segundo ano consecutivo. A fundista completou o percurso em 52min42s, repetindo a terceira posição obtida em 2024 e garantindo novamente o Brasil no pódio da São Silvestre centenária, em um cenário de amplo domínio africano.
A brasileira chega ao novo pódio com currículo em ascensão, que inclui dois títulos do Troféu Brasil nos 10.000 m e uma conquista de Campeonato Sul-Americano, resultados que a colocam entre as principais atletas de fundo do país. A performance em São Paulo reforça a regularidade da corredora em provas de rua e aumenta as expectativas para a temporada de 2026, especialmente em distâncias de 10 km e 15 km.
A edição centenária
A prova de 2025 marcou os 100 anos da São Silvestre, que se consolidou como a corrida de rua mais tradicional do calendário brasileiro, realizada sempre no dia 31 de dezembro pelas ruas e avenidas de São Paulo. A edição centenária reuniu atletas de elite de vários países e manteve a tendência recente de vitórias estrangeiras, em especial de corredores africanos, tanto no feminino quanto no masculino.
No masculino, o etíope Muse Gizachew foi o campeão ao superar o queniano Jonathan Kipkoech nos metros finais, enquanto o brasileiro Fábio Jesus também terminou em terceiro lugar, espelhando o desempenho de Núbia entre as mulheres. O pódio duplo do Brasil, com dois terceiros lugares, ajudou a manter o país entre as principais forças da prova, apesar da hegemonia africana nas primeiras posições.
Domínio africano e fim de sequência queniana
A vitória de Sisilia Panga encerrou uma sequência de oito títulos seguidos de atletas do Quênia na prova feminina da São Silvestre, abrindo espaço para a Tanzânia no topo do pódio. Após cruzar a linha de chegada, a campeã passou mal e chegou a desmaiar, precisando de atendimento médico na área de chegada, mas se recuperou após ser auxiliada pela equipe médica.
Mesmo com o protagonismo africano, o terceiro lugar de Núbia de Oliveira foi comemorado como resultado importante para o atletismo de fundo brasileiro, sobretudo em uma edição simbólica da prova. A presença da brasileira no pódio reforça a competitividade do país na elite feminina e mantém viva a expectativa de uma futura vitória nacional na São Silvestre.
