Itaguara celebra 82 anos de emancipação com festa na virada do ano

Fundada no século XIX como arraial minerador, cidade do Centro-Oeste mineiro cresceu com pecuária e hoje tem PIB de R$ 402 milhões e população acima de 14 mil habitantes

Reprodução Redes Sociais
Luciano Meira

Itaguara, município mineiro a 95 km de Belo Horizonte, comemora nesta quarta-feira (31) seus 82 anos de emancipação política, data marcada por uma grande festa integrada à virada do ano com shows e animação na praça central. A celebração destaca a trajetória de um povoado aurífero que se transformou em cidade próspera, impulsionada pela pecuária após o declínio das minas de ouro e hoje integrada à Região Metropolitana da capital estadual.Origens no ciclo do ouro

A história de Itaguara remonta ao século XIX, quando o arraial de Nossa Senhora das Dores de Conquista surgiu às margens do Rio Pará, ligado à exploração aurífera que marcou o início da colonização mineira. Em 3 de maio de 1878, a paróquia foi criada sob proteção de Nossa Senhora das Dores, com o padre Manoel Francisco de Paula Xavier como primeiro vigário, e o nome mudou para Itaguara em 7 de setembro de 1923, inspirado no indianismo pós-Semana de Arte Moderna, com raízes no tupi-guarani. A primeira escola para meninos abriu em 1850, seguida pela feminina em 1877.

Com o esgotamento das minas, a economia migrou para a pecuária, que empregou a mão de obra escravizada e moldou a estrutura social local, enquanto o distrito pertencia a Itaúna desde 1901. Uma comissão liderada por figuras como Nelly de Moraes Silva articulou a independência em 1943, com álbum de fotos de fazendas e urbanização como prova de viabilidade, culminando na emancipação em 31 de dezembro de 1943 — oficialmente instalada em 1º de janeiro de 1944, com João da Costa Guimarães como primeiro prefeito.

Emancipação e desenvolvimento educacional

A autonomia política trouxe expansão urbana e educacional: o Ginásio Monsenhor João Rodrigues, atual Escola Estadual Alvim Rodrigues do Prado, surgiu na década de 1940, o segundo grau em 1972, e em 1965 foi inaugurada a Escola Estadual Padre Gregório, com prédios doados pelo governador Magalhães Pinto em 1963. Itaguara também ganhou notoriedade literária como berço das ideias de João Guimarães Rosa, cuja obra magna começou na região. A cidade pertence à microrregião de Oliveira e mantém forte identidade rural, com festas como o rodeio reativado em 2025.

Perfil socioeconômico atual

Com área de 410 km² e densidade de 33,73 hab/km², Itaguara tem população estimada em 14.325 habitantes em 2024, crescimento de 29,8% em 30 anos e 4,5% nos últimos cinco. O PIB chega a R$ 402,5 milhões, com per capita de R$ 29,8 mil; serviços respondem por 46,9%, indústria 24,7%, administração pública 19,7% e agropecuária 8,7%. Há 3,4 mil empregos formais, 429 empresas e saldo positivo de 206 contratações no ano, com alta regularidade nas vendas apesar do baixo potencial de consumo.

O IDHM é 0,691 (2010), escolarização de 6 a 14 anos atinge 98,53%, e mortalidade infantil é baixa, em 6,41 por mil nascidos vivos. Receitas brutas realizadas somaram R$ 92,5 milhões em 2024, com despesas de R$ 79,5 milhões.

Gestão e celebrações

O prefeito atual é Luan Brenner Gonçalves de Morais (PL), no cargo até 2025, à frente de uma administração que prioriza eventos comunitários. A programação dos 82 anos inclui shows de Kaique e Felipe a partir das 21h, unindo réveillon e aniversário em clima de otimismo para 2026, com ênfase em conquistas históricas e futuro promissor. A festividade reforça o orgulho local em uma cidade que equilibra tradição rural e inserção metropolitana.

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