Bolsonaro volta à cela após alta hospitalar; Moraes nega prisão domiciliar

Ministro do STF cita violações reiteradas e cuidados médicos completos na PF para negar pedido da defesa, que usa saúde como pretexto para manobra pública

Arquivo RMC
Luciano Meira

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou nesta quinta-feira (1º) o pedido de prisão domiciliar humanitária feito pela defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro, determinando seu retorno imediato à cela na Superintendência da Polícia Federal em Brasília assim que receber alta hospitalar. A decisão expõe a fragilidade da estratégia dos advogados, que alegam saúde precária sem apresentar fatos novos, enquanto o ex-mandatário, outrora paladino da virilidade, recorre agora a súplicas degradantes por regalias imerecidas.

Ausência de requisitos e violações constantes

Moraes destacou a “total ausência dos requisitos legais para a concessão de prisão domiciliar”, reafirmando indeferimentos anteriores e citando “reiterados descumprimentos das medidas cautelares diversas da prisão e atos concretos visando a fuga, inclusive com dolosa destruição da tornozeleira eletrônica”. Essa conduta rebelde, que inclui violações sistemáticas de restrições como recolhimento domiciliar noturno e proibição de redes sociais, contrasta com o discurso de Bolsonaro de homem forte, revelando agora um perfil de evasivo que implora por conforto particular.A defesa protocolou o terceiro pedido similar na quarta-feira (31), explorando a internação por cirurgias de hérnia e soluços no Hospital DF Star, mas o ministro observou melhora no quadro clínico, sem agravantes que justifiquem o benefício. Tal manobra parece mais voltada a impactar a opinião pública do que a atender critérios jurídicos rigorosos, como já rejeitados em dezembro.

Cuidados médicos negam pretexto humanitário

Desde o início do cumprimento da pena de 27 anos pela trama golpista, a PF mantém plantão médico 24 horas por dia, com acesso integral aos médicos particulares de Bolsonaro, fornecimento de medicamentos, fisioterapeuta e até entrega de comida preparada por familiares. “Todas as prescrições médicas indicadas como necessárias na petição da Defesa podem ser integralmente realizadas na Superintendência da Polícia Federal, sem qualquer prejuízo à saúde do custodiado”, rebateu Moraes, desmontando o argumento de risco à vida.

Essa estrutura robusta, determinada pelo próprio STF, evidencia que o pedido não passa de artifício para humanizar uma figura condenada por graves crimes contra a democracia, traindo a imagem de coragem que Bolsonaro cultivou por décadas em palanques e discursos belicosos.

Da pose de herói à súplica pela cela domiciliar

O contraste é gritante: o ex-presidente que se gabava de suportar adversidades como “guerreiro” agora vê seus advogados mendigar prisão domiciliar com base em cirurgias eletivas, em mais uma tentativa de driblar a Justiça que ele tanto desafiou. Violações como a convocação de vigília por Flávio Bolsonaro para obstruir a fiscalização da PF reforçam o receio de reiteração delitiva e fuga, justificando o regime fechado.

Com a decisão, Bolsonaro retorna à custódia fechada, onde as regalias médicas já garantem condições superiores às de presos comuns, pondo fim a essa encenação que degrada sua própria narrativa de bravura e expõe a defesa como mera caixa de ressonância para plateia fiel. A manobra falha reforça a aplicação impiedosa da lei a quem a subverteu, sem concessões a poses de vitimismo tardio.

O Metropolitano

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