PF prende Filipe Martins, ex-assessor de Bolsonaro condenado por trama golpista
Filipe Martins, figura central no plano de golpe de Estado, é detido em Ponta Grossa após descumprir medidas do STF; pena de 21 anos soma-se a condenação por racismo

Luciano Meira
A Polícia Federal prendeu na manhã desta sexta-feira (2), em Ponta Grossa (PR), Filipe Martins, ex-assessor especial de Assuntos Internacionais de Jair Bolsonaro, por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do STF. Condenado em dezembro a 21 anos de prisão por participação na trama golpista de 2022, Martins descumpriu medida cautelar ao acessar o LinkedIn, levando à conversão de prisão domiciliar em preventiva.
Quem é Filipe Martins e crimes da trama golpista
Economista formado pela FGV e ex-secretário-executivo do Ministério da Economia, Filipe Martins atuou como assessor de Bolsonaro de 2019 a 2022, integrando reuniões para articular manobras antidemocráticas após a derrota eleitoral. Em dezembro de 2025, a 1ª Turma do STF o condenou por cinco crimes: organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado ao patrimônio da União e deterioração de bem tombado.
A pena totalizou 21 anos e 6 meses em regime fechado, mais 120 dias-multa no valor de salário mínimo, por elaborar a “minuta do golpe” – documento apresentado a militares para prender Moraes e manter Bolsonaro no poder. Martins fazia parte do “núcleo 2” da trama, somando-se a condenados como Silvinei Vasques, cuja tentativa de fuga endureceu medidas contra réus.
Prisão hoje: descumprimento de cautelares
Sob prisão domiciliar desde 27 de dezembro, Martins teve a preventiva decretada por Moraes após defesa não convencer sobre acesso proibido ao LinkedIn, violando restrições impostas pelo STF. Agentes federais o detiveram em casa e o levaram a presídio local, em contexto de maior rigor contra investigados golpistas.
A decisão baseia-se no art. 312 do CPP, citando risco de reiteração delitiva; defesa chama de “abusiva”, alegando ausência de fuga ou perigo concreto. O caso reforça execução acelerada de sentenças da trama que envolveu Bolsonaro, condenado a 27 anos como líder.
Gesto racista no Senado
Filipe Martins incorre em mais uma condenação vergonhosa: em março de 2021, durante sessão do Senado transmitida pela TV, o ex-assessor fez gesto com as mãos reproduzindo “WP” – referência explícita a “White Power” (Poder Branco) –, gesto supremacista que incita ódio racial contra negros, pardos, indígenas e asiáticos. A Justiça Federal de Brasília o enquadrou na Lei de Crimes Raciais (7.716/1989), por praticar discriminação e preconceito de raça, cor e etnia, condenando-o a 2 anos e 4 meses de prisão convertidos em restrições de direitos.
A atitude covarde e irresponsável de Martins, em espaço público como o Senado, não só reforça estereótipos odiosos como agrava sua imagem de extremista intolerante, merecendo repúdio veemente da sociedade brasileira que rejeita o racismo em todas as formas. Além de 850 horas de serviços comunitários, multa de R$ 8,2 mil e R$ 14 mil a entidade social, ele pagará R$ 30 mil por danos morais – punição branda ante a gravidade de propagar supremacia branca em rede nacional.
Consequências cumulativas e contexto político
Com penas somadas superando 23 anos, Martins exemplifica o preço da lealdade cega a narrativas golpistas e preconceituosas, agora sob custódia integral. Sua prisão, em meio a buscas por outros réus, sinaliza fase final de responsabilização pela tentativa de subverter a democracia brasileira em 2022. A defesa pode recorrer, mas o acúmulo de crimes – do golpe ao racismo – pinta retrato de agente deliberado de instabilidade e ódio.
