Programação especial em 2026 celebra 55 anos do Palácio das Artes
Maior complexo cultural da América Latina prepara ano festivo com óperas, concertos, cinema e exposições em Belo Horizonte

Luciano Meira
Em 2026, o Palácio das Artes, no coração de Belo Horizonte, comemora 55 anos de inauguração com uma programação especial que se estende por todo o ano, articulando memória e futuro em torno do mote “Ontem, Hoje e Sempre”. A agenda reúne música, ópera, dança, cinema, artes visuais e formação artística, reforçando o papel do equipamento como centro estratégico da vida cultural mineira e referência para a arte brasileira e internacional.
Fundação e trajetória do ícone cultural
Inaugurado oficialmente em 14 de março de 1971, o Palácio das Artes coroou um projeto iniciado ainda na década de 1940, quando o então prefeito Juscelino Kubitschek encomendou a Oscar Niemeyer um grande teatro para a jovem capital mineira. Ao longo das décadas, o complexo foi sendo ampliado e hoje abriga teatros, cinema, galerias, espaços expositivos e áreas de formação, configurando-se como o maior centro de produção, formação e difusão cultural de Minas Gerais e um dos maiores da América Latina.
Ligado à Fundação Clóvis Salgado desde o fim dos anos 1970, o Palácio das Artes consolidou-se como ponto de encontro entre artistas e público, abrigando de grandes montagens de ópera a festivais de cinema, passando por mostras de artes visuais e temporadas de dança. Episódios como o incêndio no Grande Teatro, em 1997, e a subsequente reconstrução reforçaram o vínculo simbólico entre o equipamento e a cidade, transformando o espaço em emblema da resistência cultural de Belo Horizonte.
Programação de 2026: “Ontem, Hoje e Sempre”
Para marcar os 55 anos, a Fundação Clóvis Salgado estruturou a programação de 2026 em torno dos eixos passado, presente e futuro, reunidos no conceito “Palácio das Artes, 55 anos: ontem, hoje, sempre”. Ao longo do ano, as atividades incluem temporadas de ópera, concertos sinfônicos, espetáculos de dança, exposições de artes visuais, ações de preservação da memória institucional e lançamentos de livros sobre a história do complexo.
Entre os destaques anunciados estão a encenação de “As Bodas de Fígaro”, de Mozart, em maio, e o ciclo imersivo “Viva a Ópera”, em julho, que levará o público aos galpões do Centro Técnico em Marzagão, em Sabará, com cenários de clássicos como “Aída”, “Nabucco”, “La bohème” e “La traviata”. Em setembro, está prevista a estreia mundial da ópera “Chica da Silva”, encomendada pela instituição, além de um concerto especial que celebra os 50 anos da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, marcando o diálogo entre a trajetória do Palácio e a história de seus corpos artísticos.
Corpos artísticos e formação de público
A programação de 2026 reforça o papel dos corpos estáveis ligados à Fundação Clóvis Salgado, como a Companhia de Dança Palácio das Artes, a Orquestra Sinfônica de Minas Gerais e o Coral Lírico de Minas Gerais. Ao longo do ano, esses grupos participam de apresentações conjuntas, que vão de concertos carnavalescos a montagens de ópera, ampliando o acesso a repertórios eruditos e contemporâneos para diferentes perfis de público.
Além dos espetáculos, o calendário inclui ações formativas voltadas a estudantes, artistas em início de carreira e interessados em diversas linguagens, reafirmando a vocação do Palácio das Artes como espaço de educação estética e cidadã. Cursos, oficinas, debates e encontros com criadores buscam aproximar bastidores e plateia, aproximando o público da criação artística e dos desafios da produção cultural no país.
Relevância para Minas, Brasil e o mundo
Definido pela própria instituição como “espaço de cultura, artes, entretenimento, conhecimento e emoções”, o Palácio das Artes se consolidou como epicentro da vida cultural de Belo Horizonte e símbolo da identidade artística mineira. A condição de maior complexo cultural da América Latina, aliada à programação contínua e à diversidade de linguagens, faz do equipamento um polo de circulação de artistas brasileiros e estrangeiros, projetando a produção local em circuitos nacionais e internacionais.
Mostras como a itinerância da Bienal de São Paulo, o Prêmio Décio Noviello de artes plásticas e fotografia e grandes temporadas de ópera evidenciam a inserção do Palácio das Artes em redes globais de intercâmbio cultural, ao mesmo tempo em que o espaço preserva um forte compromisso com a cena artística mineira. Em 2026, a celebração dos 55 anos reforça essa dupla dimensão: celebrar a memória construída em Belo Horizonte e reafirmar o lugar do complexo no mapa mundial das instituições dedicadas à arte, à cultura e à formação de público.
