Moraes manda Malafaia se explicar por ofensas ao comandante do Exército

Pastor tem 15 dias para defesa após denúncia da PGR por calúnia e injúria em ato na Paulista; caso vai para relator de inquéritos das fake news

Pastor Silas Malafaia – Reprodução Redes Sociais
Luciano Meira

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que o pastor Silas Malafaia preste esclarecimentos em até 15 dias sobre ofensas proferidas contra o comandante do Exército, general Tomás Paiva, durante ato na Avenida Paulista em abril de 2025. A intimação segue denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), que acusa o líder religioso de calúnia e injúria ao chamar os generais de “frouxos”, “covardes” e “omissos”. Malafaia, notificado em 23 de dezembro, ainda não se manifestou no processo.Contexto do episódio na Paulista

As declarações ocorreram em manifestação convocada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro para pressionar por anistia aos envolvidos no 8 de Janeiro de 2023, quando Malafaia, do alto de um carro de som, criticou o Alto Comando do Exército por suposta omissão: “Cadê esses generais de quatro estrelas? Cambada de frouxos, cambada de covardes, cambada de omissos. Vocês não honram a farda que vestem”. O vídeo do discurso viralizou nas redes sociais, com postagens do pastor acumulando mais de 300 mil visualizações, o que a PGR considera agravante para os crimes contra a honra.

Denúncia da PGR e conexão com inquéritos

O procurador-geral Paulo Gonet protocolou a denúncia em 18 de dezembro de 2025, argumentando que Malafaia extrapolou a liberdade de crítica ao imputar falsamente prevaricação aos militares, atingindo diretamente o general Tomás Paiva e o Alto Comando. Gonet vinculou o caso aos inquéritos das fake news e milícias digitais, sob relatoria de Moraes, justificando a tramitação no STF apesar da ausência de prerrogativa de foro para Malafaia. O pastor contesta a competência da instância superior e alega não ter citado nomes específicos.

Reação de Malafaia e repercussão

Malafaia reagiu nas redes, acusando Moraes e Gonet de perseguição política e afirmando que suas palavras visavam o “Alto Comando” em geral, sem alvo individual. O caso ganha contornos de tensão entre figuras bolsonaristas e instituições, com o pastor já alvo de outras investigações, como a operação da PF em agosto de 2025 que apreendeu seu passaporte e cadernos. O prazo de defesa expira no fim de janeiro, durante o recesso judiciário, período em que Moraes atua como vice-presidente do STF.

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