Seis fundos do Banco Master sob suspeita de laços com PCC

Banco Central aponta fraudes de R$ 11 bi com Reag, investigada na Carbono Oculto, em esquema que lava dinheiro da facção nos setores financeiro e de combustíveis

Reprodução
Luciano Meira

O Banco Central identificou seis fundos administrados pela Reag DTVM, parceiros do Banco Master liquidado em novembro, como peças centrais em fraude estimada em R$ 11,5 bilhões, com indícios de ligação ao Primeiro Comando da Capital (PCC) na infiltração do crime organizado na economia formal. Os fundos — Astralo 95, Reag Growth 95, Hans 95, Olaf 95, Maia 95 e Anna —, com patrimônio de R$ 102,4 bilhões pela CVM, foram citados em denúncia do BC ao MPF em 10 de novembro, dias antes da prisão do banqueiro Daniel Vorcaro. A Reag, alvo da Operação Carbono Oculto em agosto de 2025 contra lavagem de dinheiro do PCC em combustíveis e finanças, simula movimentações bilionárias para inflar ativos e desviar recursos de CDBs de investidores.Esquema das fraudes

O Master emprestava bilhões a empresas do esquema, que aplicavam em fundos da Reag; estes compravam ativos supervalorizados — como títulos por dez vezes o real —, retornando dinheiro a Vorcaro via participações em Atlético-MG, imóveis em Brasília e CDBs próprios. Operações de julho de 2023 a 2024 somaram R$ 11,5 bi em crédito concentrado, violando regras de risco e liquidez, com laranjas como donos para lavagem. A denúncia ao MPF aponta crimes contra o sistema financeiro, agravados pela venda de R$ 12,2 bi em créditos falsos ao BRB.

Conexões com PCC e Carbono Oculto

Todos os seis fundos surgem na megaoperação Carbono Oculto, que desmantelou núcleo financeiro do PCC com 350 alvos, usando setores legais para lavar lucros do tráfico. A Reag, sem cotistas comuns, recebia verbas ilícitas para fundos fechados, conectando fraudes do Master à máfia dos combustíveis. Vorcaro e diretores da Reag enfrentam indiciamento, enquanto BC e PF investigam delações sobre a cadeia de lavagem.

Repercussões e omissões

Liquidado por insolvência e irregularidades, o Master expõe falhas na regulação, com TCU questionando a compra frustrada pelo BRB sob Paulo Henrique Costa. Nem Master nem Reag comentam, alimentando suspeitas de conluio sistêmico que ameaça poupadores e credores. A trama reforça alertas sobre infiltração do PCC na finança, demandando ação urgente de autoridades.

O Metropolitano

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