Deputadas acionam TCE contra “farra aérea” de Zema em campanha antecipada
Parlamentares denunciam uso de aviões oficiais para fins eleitorais enquanto dívida de Minas Gerais sob gestão Zema ultrapassa R$ 200 bilhões

Luciano Meira
A vice-presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), Leninha (PT), acompanhada da deputada Bella Gonçalves (PSOL) e de outros membros da oposição, protocolou uma representação junto ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG) para investigar o uso de aeronaves oficiais pelo governador Romeu Zema (Novo). A denúncia aponta que o chefe do Executivo mineiro tem utilizado a estrutura pública para pavimentar sua candidatura à Presidência da República em 2026, “casando” agendas partidárias com compromissos institucionais de fachada.
A representação fundamenta-se em levantamentos que indicam desvios de rota em aeronaves do Estado para atender a interesses eleitorais. Em um dos episódios citados, Zema teria deixado uma agenda oficial no Rio de Janeiro para seguir em avião oficial até Campinas (SP), onde participou de um evento do partido Novo. Embora o governo alegue que houve reunião de trabalho na cidade paulista, os registros sugerem que a estrutura serviu exclusivamente ao projeto político pessoal do governador.
Explosão da dívida e recorde de gastos
A ofensiva das deputadas ocorre em um momento de grave deterioração das contas públicas mineiras. Sob a gestão de Romeu Zema, a dívida de Minas Gerais com a União saltou de R$ 114,7 bilhões em 2019 para impressionantes R$ 201,1 bilhões previstos para o final de 2025. O crescimento do passivo contrasta com o aumento dos gastos com deslocamentos aéreos: apenas em 2025, o custo com combustível de aviação do gabinete bateu o recorde de R$ 1,5 milhão, superando inclusive o ano eleitoral de 2022.
Para Bella Gonçalves, a conduta de Zema expõe uma contradição ética profunda. A parlamentar critica o fato de o governador, que se elegeu com um discurso contra privilégios, agora utilizar o erário para “voar” pelo país em pré-campanha enquanto o estado amarga um buraco financeiro. Leninha reforça que a ação no TCE busca garantir a moralidade administrativa: “O que está em jogo é o respeito ao dinheiro público e à lisura do processo democrático”.
Com a saída do cargo anunciada para março de 2026, Zema parece ter antecipado o fim de seu mandato administrativo para se dedicar integralmente à sucessão nacional. O governo mineiro defende a legalidade dos voos baseando-se em um decreto de 2005 sobre segurança, mas a falta de registros detalhados sobre as supostas reuniões institucionais em meio a eventos partidários coloca a gestão sob a avaliação dos órgãos de controle.
