Pacheco admite disputar governo de Minas com apoio de Lula e avalia troca de partido

Senador reduz resistência a projeto do Planalto e sinaliza migração para legenda da base aliada para viabilizar candidatura em 2026

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Luciano Meira

O cenário político para a sucessão estadual em Minas Gerais sofreu uma alteração significativa nesta semana. O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), até então reticente quanto a uma disputa executiva, admitiu pela primeira vez a interlocutores a possibilidade de concorrer ao governo de Minas Gerais nas eleições de outubro. O movimento ocorre sob forte incentivo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que projeta em Pacheco o nome ideal para unificar a base governista no segundo maior colégio eleitoral do país.A mudança de postura de Pacheco é acompanhada por negociações para uma eventual troca de partido. Embora o PSD, de Gilberto Kassab, seja aliado do governo federal, em Minas Gerais alinhou-se à oposição e admitiu na legenda o vice-governador e pré-candidato Mateus Simões.
O senador avalia migrar para uma legenda mais estreitamente alinhada ao Palácio do Planalto ou que garanta uma coligação sólida com o PT mineiro. O objetivo de Lula é evitar a fragmentação da esquerda e do centro-esquerda no estado, oferecendo uma alternativa competitiva contra o grupo político do atual governador, Romeu Zema.

O projeto do Planalto

A estratégia de Lula para Minas Gerais baseia-se na construção de um palanque forte que possa retribuir o apoio recebido no estado durante as eleições de 2022. Para o governo federal, Pacheco possui o perfil de conciliação necessário para dialogar com setores produtivos, como o agronegócio e a indústria, que guardam resistências ao PT.

Até o final de 2025, o senador mantinha o discurso de que pretendia concluir seu mandato no Legislativo ou até pleitear uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). No entanto, novos fatos políticos, como o avanço de nomes da direita ligados a Zema e a necessidade de o governo federal garantir bases estaduais para a governabilidade, aceleraram a reavaliação de Pacheco.

Analogias e contradições

A potencial candidatura de Pacheco traz contradições que precisarão ser sanadas até as convenções partidárias. O senador, que construiu sua carreira com um perfil independente e muitas vezes crítico a pautas mais radicais, agora se vê diante do desafio de abraçar a agenda de Lula em um estado que deu vitória apertada ao petista.

A articulação envolve ainda a definição do nome que ocupará a vaga ao Senado na chapa. O PT mineiro, que possui nomes como a prefeita de Contagem Marília Campos e o deputado federal Reginaldo Lopes, reivindica espaço na composição majoritária. Ao acenar para o Planalto, Pacheco indica que ele prioriza, neste momento, a viabilidade de uma estrutura de campanha nacionalizada em detrimento da zona de conforto no Senado.

Próximos passos

Nas próximas semanas, Pacheco deve intensificar as agendas no interior de Minas Gerais para medir sua popularidade fora do ambiente institucional de Brasília. A confirmação da troca de partido será o marco definitivo dessa nova fase.

O Metropolitano

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