Justiça italiana adia novamente decisão sobre extradição de Carla Zambelli

Defesa da ex-deputada solicita mudança de tribunal em Roma; processo deve ser retomado apenas em fevereiro

A condenada foragida Carla Zambelli – Reprodução Redes Sociais
Luciano Meira

A Corte de Apelação de Roma interrompeu o julgamento do pedido de extradição de Carla Zambelli para o Brasil nesta terça-feira. Os advogados da ex-deputada federal apresentaram um pedido de suspeição dos magistrados, argumentando que não haveria isenção para o julgamento do caso. Com a suspensão, a defesa tem agora três dias para formalizar a solicitação. A expectativa é que o processo seja retomado apenas em fevereiro.Esta é a quarta vez que a análise do pedido brasileiro sofre atrasos. Em dezembro passado, o tribunal já havia postergado a decisão para aguardar documentos do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre as condições carcerárias brasileiras. O governo brasileiro busca o retorno de Zambelli para que ela cumpra penas que somam mais de 15 anos de prisão.

Condenações e fuga

Carla Zambelli está presa preventivamente em Roma desde o dia 29 de julho de 2025. A ex-parlamentar fugiu do Brasil após ser condenada em definitivo pelo STF a dez anos de reclusão por invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e falsidade ideológica. Posteriormente, recebeu outra condenação de cinco anos e três meses por porte ilegal de arma e constrangimento ilegal, em episódio ocorrido na véspera das eleições de 2022.

A trajetória política de Zambelli, que se destacou como uma das principais vozes do bolsonarismo na Câmara, encerrou-se formalmente em dezembro de 2025. Após o STF determinar a perda imediata de seu mandato devido ao regime fechado de prisão, a parlamentar apresentou sua renúncia ao cargo. Na mesma semana, a Câmara dos Deputados chegou a rejeitar um pedido de cassação, mas a renúncia já havia sido oficializada para tentar reforçar a tese de perseguição política perante os juízes italianos.

Próximos passos

O Ministério Público da Itália já emitiu parecer favorável à extradição, mas a decisão final depende do tribunal e, posteriormente, do governo local. Caso seja autorizada a extradição, a ex-deputada deve ser transferida para a Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida como Colmeia.

O Metropolitano

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