Lud Falcão deixa vice-liderança e governo exonera aliada em Patos de Minas

Antes mesmo de herdar o cargo, vice-governador adota métodos de perseguição política e dá mostra de como agiria em eventual mandato próprio

Fotos: Reprodução – Arte RMC
Luciano Meira

O rompimento político entre a deputada estadual Lud Falcão (Podemos) e o governo de Minas Gerais teve novos desdobramentos nesta quinta-feira (22). Após acusar o vice-governador Mateus Simões (Novo) de ameaças e autoritarismo, a parlamentar confirmou sua saída da vice-liderança do governo na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Em resposta, o Executivo estadual iniciou a exoneração de cargos indicados pela deputada em sua base eleitoral.A crise, que se tornou pública após um embate em um evento oficial, atingiu a estrutura administrativa do Estado no Alto Paranaíba. O Diário Oficial trouxe a exoneração de uma servidora da Superintendência Regional de Ensino de Patos de Minas, ligada ao grupo político de Lud e de seu marido, o prefeito de Patos de Minas, Luís Eduardo Falcão.

O episódio sinaliza um comportamento de quem já se comporta como “dono do Estado”. Sem nunca ter recebido um voto direto para o cargo que ocupa, o vice-governador demonstra uma pressa autoritária em punir desafetos, utilizando a estrutura administrativa — e o emprego de servidores — como ferramenta de vingança pessoal.

Impacto na governabilidade

A escalada do conflito ocorre em um momento sensível para o governo estadual, que depende de uma base sólida para aprovar projetos de interesse do Executivo, como o Regime de Recuperação Fiscal (RRF). A perda de uma vice-líder e a abertura de um flanco de oposição no Podemos podem dificultar o trânsito de Mateus Simões no Legislativo, visto que o vice-governador é o principal articulador político da gestão.

A deputada Lud Falcão deverá formalizar seu posicionamento na tribuna da Assembleia na próxima sessão ordinária. O prefeito de Patos de Minas também se manifestou em redes sociais, reforçando o apoio à esposa e criticando o que chamou de “uso de caneta” para punir divergências políticas.

A “caneta” como arma de intimidação

A rapidez com que o governo operou as exonerações após as denúncias de ameaça não deixa dúvidas sobre a tática adotada: o silenciamento pelo medo. Ao mirar funcionários em Patos de Minas, Simões atinge não apenas a parlamentar, mas a própria estabilidade da gestão pública regional, transformando cargos técnicos em reféns de seus humores políticos.

Para observadores na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), o comportamento é uma “amostra grátis” do que seria uma eventual gestão Simões. Se como vice o político já demonstra tal incapacidade de conviver com o contraditório, o cenário de uma gestão plena sob seu comando sugere um governo de pouca abertura democrática e alta voltagem repressiva contra críticos.

Prejuízo à governabilidade

Ao tratar aliados como subordinados passíveis de punição, Mateus Simões sabota a própria base que deveria liderar. O autoritarismo exibido no caso Falcão pode custar caro à governabilidade de Romeu Zema, uma vez que a política mineira, tradicionalmente avessa a modos imperiais, costuma reagir com desdém a quem tenta governar no grito.

A pergunta que ecoa nos corredores do poder em Belo Horizonte é simples: se antes de sentar na cadeira de governador Simões já se utiliza de métodos de perseguição, qual seria o limite de sua autoridade caso venha a comandar o Estado com o selo das urnas? Por ora, o vice-governador conseguiu apenas consolidar a imagem de um gestor que prefere a força da canetada ao diálogo da política.

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