Produção nacional de veículos elétricos baixa preço de modelos de entrada
Com inauguração de fábricas na Bahia e em São Paulo, montadoras chinesas lideram ofensiva para oferecer carros movidos a bateria na faixa dos R$ 100 mil

Luciano Meira
A indústria automobilística brasileira vive uma transição histórica em 2026 com o início da operação de grandes linhas de montagem dedicadas a veículos eletrificados. Após anos de dependência de modelos importados da China, montadoras como BYD e GWM (Great Wall Motor) nacionalizaram a produção no país. O movimento visa reduzir custos logísticos e tributários, permitindo que os preços dos modelos elétricos se aproximem dos valores praticados em veículos populares a combustão.
A BYD, que assumiu o complexo industrial de Camaçari, na Bahia, iniciou a montagem nacional de seu modelo mais vendido, o Dolphin Mini. Atualmente, o veículo é comercializado por valores próximos a R$ 119 mil, mas versões de entrada voltadas para frotistas e vendas diretas já chegam ao mercado por menos de R$ 100 mil. A nacionalização é o pilar da estratégia da marca para consolidar o elétrico como uma opção viável para o uso urbano cotidiano.
Simultaneamente, a GWM inaugurou sua planta em Iracemápolis, interior de São Paulo. Embora o foco inicial da unidade paulista tenha sido o SUV híbrido Haval H6, a empresa já projeta uma segunda fábrica para focar exclusivamente em veículos 100% elétricos. O objetivo é aumentar a escala de produção e reduzir o preço final do Ora 03, que figura entre os modelos mais tecnológicos do segmento de entrada.
Os modelos mais acessíveis em 2026
Atualmente, o mercado brasileiro apresenta as seguintes opções para quem busca migrar para a mobilidade elétrica com o menor investimento possível:
| Modelo | Preço Aproximado (R$) | Autonomia (PBEV) |
| Renault Kwid E-Tech | R$ 99.990,00 | 185 km |
| BYD Dolphin Mini GL | R$ 118.990,00 | 250 km |
| JAC E-JS1 | R$ 119.990,00 | 181 km |
| Geely EX2 Pro | R$ 119.990,00 | 289 km |
Além do preço de aquisição, o custo operacional tem sido o principal argumento de venda. Estima-se que o custo por quilômetro rodado de um elétrico como o Dolphin Mini seja de aproximadamente R$ 0,10, valor significativamente inferior ao de um carro a gasolina equivalente.
A consolidação dessa produção local também atrai investimentos de grupos tradicionais. A Stellantis, dona das marcas Fiat e Jeep, anunciou aportes de R$ 30 bilhões para desenvolver tecnologias híbridas e elétricas em sua sede em Betim (MG). A tendência indica que, nos próximos anos, a oferta de modelos nacionais aumentará, estimulando a concorrência e a infraestrutura de recarga em todo o território nacional.
