Dique da Vale rompe em Ouro Preto e atinge unidade da CSN em Congonhas

Incidente ocorreu na madrugada deste domingo (25), exatos sete anos após a tragédia de Brumadinho; cerca de 263 mil metros cúbicos de lama atingiram instalações administrativas e afetaram rios da região

Reprodução Redes Sociais
Luciano Meira

Um dique em uma cava da mina da Fábrica, de propriedade da mineradora Vale, rompeu na madrugada deste domingo (25), em Ouro Preto, na região Central de Minas Gerais. O vazamento de aproximadamente 263 mil metros cúbicos de água e sedimentos atingiu a unidade vizinha da CSN Mineração, em Congonhas, provocando a evacuação imediata de cerca de 200 funcionários. Não houve registro de feridos.O rompimento ocorreu por volta das 5h30 e inundou escritórios, oficinas e o almoxarifado da CSN, com a lama atingindo 1,5 metro de altura em alguns pontos. Segundo a Prefeitura de Congonhas, o volume derramado equivale a 105 piscinas olímpicas. O incidente coincide com a data que marca os sete anos do desastre de Brumadinho, ocorrido em 25 de janeiro de 2019.

Impactos ambientais e abastecimento

Os sedimentos atingiram os leitos dos rios Goiabeiras e Maranhão. Como medida preventiva, a captação de água no Rio Maranhão, responsável por parte do abastecimento de Congonhas, foi suspensa. A Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros monitoram a situação, mas informaram que não há risco de novos vazamentos imediatos, uma vez que a estrutura já se encontra aberta e o material remanescente está abaixo do nível do solo.

A Vale negou que tenha havido o rompimento de uma barragem, classificando o episódio como um “extravasamento” de água e sedimentos decorrente das fortes chuvas. A empresa afirmou que as causas estão sendo apuradas e que suas barragens na região permanecem estáveis e monitoradas.

Contradições e fiscalização

Apesar da justificativa da mineradora, o prefeito de Congonhas, Anderson Cabido (PSB), criticou a falta de monitoramento adequado da estrutura. Segundo o chefe do Executivo municipal, a prefeitura não foi comunicada pela Vale sobre o ocorrido, tomando conhecimento do fato apenas por meio da CSN, após a lama já ter atingido as instalações da siderúrgica.

Equipes da Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Semad) e da Polícia Militar Ambiental permanecem no local para avaliar os danos e a turbidez da água. Parlamentares mineiros também se manifestaram, classificando o incidente como um reflexo da reincidência de falhas no setor mineral do estado, especialmente pela simbologia da data.

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