Vírus Nipah: surto na Índia coloca autoridades de saúde em alerta global
Patógeno zoonótico apresenta alta taxa de letalidade e preocupa pela ausência de vacinas ou tratamentos específicos

Luciano Meira
Um novo surto do vírus Nipah no estado de Bengala Ocidental, na Índia, reacendeu o alerta das autoridades sanitárias internacionais em janeiro de 2026. Com a confirmação de novos casos, inclusive entre profissionais de saúde em Calcutá, o governo local intensificou medidas de isolamento e rastreamento de contatos para conter a propagação da doença, que é considerada uma das maiores ameaças biológicas atuais.
O vírus Nipah (NiV) é um agente infeccioso zoonótico, o que significa que é transmitido de animais para seres humanos. Ele foi identificado pela primeira vez em 1999, na Malásia, durante um surto que atingiu criadores de porcos. Desde então, a doença tem se manifestado de forma esporádica em países do Sudeste Asiático, como Bangladesh e Índia, que enfrentam episódios quase anuais.
Origem e Transmissão
Os hospedeiros naturais do vírus são os morcegos frugívoros do gênero Pteropus, conhecidos como raposas-voadoras. A transmissão para humanos ocorre geralmente pelo consumo de frutas ou seivas contaminadas com saliva ou urina desses animais. O contágio também acontece por meio do contato direto com animais infectados, como porcos, ou entre pessoas, especialmente em ambientes hospitalares e familiares.
Impacto e Sintomas
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a taxa de mortalidade do Nipah é alarmante, variando entre 40% e 75% dos infectados. Os sintomas iniciais assemelham-se aos de uma gripe forte: febre, dor de cabeça e dores musculares. No entanto, o quadro pode evoluir rapidamente para problemas respiratórios graves e encefalite aguda (inflamação do cérebro), que causa desorientação e pode levar ao coma em menos de 48 horas.
Tratamento e Prevenção
Atualmente, não existe vacina nem medicamento específico para combater o vírus. O atendimento médico limita-se a cuidados de suporte para aliviar os sintomas e manter as funções vitais. Por essa razão, o Nipah integra a lista de doenças prioritárias da OMS para pesquisa e desenvolvimento urgente de contramedidas.
Riscos para o Brasil
Apesar da gravidade, autoridades de saúde brasileiras afirmam que o risco de introdução do vírus no país é baixo. O principal fator de contenção é geográfico, uma vez que o reservatório natural (o morcego Pteropus) não habita o território brasileiro. O risco reside apenas na possibilidade de um viajante infectado desembarcar no país, o que exige vigilância constante nos portos e aeroportos, embora a probabilidade de uma transmissão sustentada em solo nacional seja considerada pequena.
